Bombardeio do exército nigeriano em campo de refugiados mata pelo menos 52

(Atualiza número de mortos e acrescenta informações).

Abuja, 17 jan (EFE).- Pelo menos 52 pessoas morreram nesta terça-feira e outras 120 ficaram feridas durante um bombardeio aéreo do exército da Nigéria em um campo de refugiados na cidade de Rann, no nordeste do país, informou a Organização Médicos sem Fronteiras (MSF) à Agência Efe.

O exército, que não informou o número de vítimas, confirmou o ataque aéreo feito durante uma operação militar contra o grupo terrorista Boko Haram que, "infelizmente", atingiu civis e integrantes da equipe humanitária da MSF e do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

Segundo a última atualização da MSF, o número de mortos já se situa em 52, enquanto as equipes de emergência no terreno seguem atendendo cerca de 120 feridos.

Fontes da Cruz Vermelha nigeriana asseguraram que entre os mortos estão seis de seus funcionários, enquanto outros 13 ficaram feridos no bombardeio.

O porta-voz do governo nigeriano, Femi Adesina,, expressou, em nome do presidente Muhammadu Buhari, suas condolências às famílias dos mortos no incidente, que qualificou de "lamentável erro operacional".

Segundo explicou o comandante da operação, Lucky Irabor, em entrevista coletiva na cidade de Maiduguri (norte da Nigéria), o ataque militar começou esta manhã após a informação de que na região se encontravam terroristas de Boko Haram.

"Infelizmente, o ataque aconteceu, mas outros civis que estavam nos arredores da área se viram atingidos", lamentou o comandante.

O acampamento de deslocados internos de Rann se encontra situado muito perto da fronteira com Camarões, no estado nortista de Borno, um dos alvos frequentes do grupo jihadista Boko Haram.

Embora o exército nigeriano tenha confirmado que durante o ataque morreram civis e equipes da MSF e do CICV também foram atingidas, ainda não proporcionou nenhum número oficial de vítimas mortais.

"Este ataque em grande escala contra pessoas vulneráveis, que já fugiram da violência extrema, é traumático e inadmissível", criticou o diretor de operações da MSF, Jean-Clément Cabrol, em comunicado.

"A segurança dos civis deve ser respeitada. Fazemos um apelo urgente a todas as partes para que facilitem as evacuações médicas por via aérea ou por estrada dos sobreviventes que necessitam de atendimento de urgência", acrescentou.

Além disso, a MSF garantiu que suas equipes médicas e cirúrgicas em Camarões e no Chade estão prontas para tratar os pacientes feridos.

O Boko Haram matou mais de 20.000 pessoas e obrigou mais de 2,5 milhões a fugir de seus lares desde que começou sua atividade terrorista em 2009.

Os jihadistas sofreram várias derrotas desde que Nigéria, Chade, Camarões e Níger decidiram criar uma força multinacional para coordenar uma ofensiva ao redor do lago Chad, na região fronteiriça dos quatro países.

No entanto, nas últimas semanas voltaram a cometer vários ataques no nordeste da Nigéria, onde lutam para instaurar um Estado de cárater radical islâmico.

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