Buscas por avião da Malaysia desaparecido no Oceano Índico são encerradas

Bangcoc/Pequim, 17 jan (EFE).- As equipes que trabalhavam nas buscas do avião da Malaysia Airlines desaparecido em 2014 no Oceano Índico com 239 pessoas a bordo deram nesta terça-feira por encerradas as operações de resgate, após rastrear uma área de 120.000 quilômetros quadrados.

As autoridades da Malásia, Austrália e China reconheceram o fracasso das buscas, um "desafio sem precedentes", para o qual contaram com tecnologia avançada e os melhores especialistas.

"A busca submarina do (voo) MH 370 foi suspensa", diz o anúncio assinado pelo ministro malaio de Transporte, Liow Tiong Lai, e seus homólogos australiano, Hon Darren Chester, e chinês, Li Xiaopeng.

"Mantemos a esperança de que apareçam novas informações no futuro e o avião seja localizado", acrescentaram as autoridades dos países.

A decisão foi tomada apesar de o Escritório Australiano para a Segurança no Transporte (ATSB, na sigla em inglês), que liderava as buscas, recomendar em dezembro que as operações de resgate continuassem em uma área de 25.000 quilômetros quadrados ao norte da área rastreada até o momento.

"Desapontado pelo cancelamento das buscas do MH 370. Especialmente se alguns especialistas acreditam que há lugares melhores para procurar", afirmou o ex-primeiro-ministro australiano Tony Abbott em sua conta no Twitter.

Algumas das famílias reagiram negativamente ao anúncio, já que não perderam as esperanças de encontrar os destroços do avião após mais de dois anos e meio do desaparecimento.

O Voice 370, um grupo familiares das vítimas, se mostrou "consternado" e qualificou de "cortina de fumaça" a reunião entre os responsáveis pela busca.

"Ao nosso ver, estender a busca à nova área definida pelos especialistas é uma obrigação inegável devida ao público e aos interesses da segurança aérea. Não se pode permitir que os aviões comerciais desapareçam sem vestígio", indica o coletivo em comunicado.

Na China, país de origem de 153 das 239 pessoas a bordo do MH 370, parentes das vítimas consideraram que a decisão os deixa à deriva e muitos seguem acreditando que seus entes estejam vivos.

"Acho que esconderam os passageiros", diz de maneira contundente Zhang Huijun.

Com fé nas novas tecnologias, a mulher acredita que o desaparecimento do avião - um dos maiores mistérios da história da aviação civil -, pode ser esclarecido e que ainda vão encontrar seu marido e sua filha, que faziam parte da lista de passageiros do voo MH 370.

Zhang Yongli, um cidadão de 68 anos que se alçou como um dos porta-vozes do grupo, assegura, por sua vez, que representantes do Ministério de Transportes da China se propuseram a dar continuidade às buscas na área recomendada pelo ATSB.

O Ministério das Relações Exteriores chinês, no entanto, rejeitou nesta terça-feira dar detalhes sobre o caso e se limitou a ressaltar que Pequim tratou "seriamente" do assunto.

"Estou muito decepcionado com a gestão dos governos envolvidos", manifestou Zhang, que perdeu a filha.

O avião de Malaysia Airlines desapareceu no dia 8 de março de 2014 quando sobrevoava o Oceano Índico, fora da rota, 40 minutos após decolar de Kuala Lumpur rumo a Pequim, quando perdeu os sistemas de comunicação.

Além dos passageiros chineses, também viajavam no voo 50 malaios (12 formavam a tripulação), sete indonésios, seis australianos, cinco indianos, quatro franceses, três americanos, dois neozelandeses, dois ucranianos, dois canadenses, dois iranianos, um russo, um holandês e um taiuanês.

Até o momento, foram recuperadas algumas peças do avião levadas pela correnteza até praias da Ilha de Reunião, Moçambique, Mauricio, África do Sul e na ilha Pemba (Tanzânia), no leste da África.

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