Mudança de rumo na era Trump também afeta imprensa

Raquel Godos.

Washington, 17 jan (EFE).- Com a chegada do empresário Donald Trump à presidência dos Estados Unidos na próxima sexta-feira, o país dará início a uma mudança de rumo em todos os níveis, incluindo a imprensa, que mantém uma mais que complexa relação com o multimilionário.

Acostumados a uma defesa com veemência da primeira emenda da Constituição, onde se reflete a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa, os americanos estão há meses escutando seu agora presidente eleito atacar os jornalistas e acusá-los de mentir de forma dura.

Trump protagonizou ao longo destes meses episódios pouco comuns, primeiro para um candidato presidencial, e agora futuro presidente, como o que deu a volta ao mundo esta semana depois de não permitir que um jornalista da emissora "CNN" lhe fizesse uma pergunta em entrevista coletiva.

"Senhor presidente eleito, já que está atacando nossa organização de notícias, pode nos dar uma oportunidade?", perguntou Jim Acosta, correspondente para a Casa Branca da emissora.

"Você não. Sua organização é terrível. Não vou dar uma pergunta a você. Suas notícias são falsas", cortou Trump.

O multimilionário alegou durante toda a campanha eleitoral que os veículos de comunicação tradicionais, entre os quais citou a "CNN" e o jornal "The New York Times", mentem para a população e estão a serviço dos grandes interesses do sistema.

Quando de maneira inesperada venceu as eleições do dia 8 de novembro, uma das primeiras dúvidas entre os jornalistas foi precisamente como seria sua relação a partir de agora com a Casa Branca.

O empresário se negou que um jornalista lhe seguisse em suas primeiras horas como presidente eleito, e sua equipe demorou a digerir e aceitar o tradicional grupo de repórteres que vão junto para fornecer informação de primeira mão ao resto de correspondentes, nacionais e internacionais.

Trata-se de um reduzido grupo de jornalistas que fazem rodízio para acompanhar o presidente em cada movimento, e que têm um acesso próximo a sua equipe para poder informar sobre seus passos e compartilhar tal informação com o resto da imprensa.

Finalmente, os correspondentes da Casa Branca conseguiram esquivar esse obstáculo, mas Trump não está disposto a deixar as coisas como estão, também em relação aos veículos de comunicação e sua capacidade para cobrir o Executivo americano.

O futuro chefe de gabinete da Casa Branca, Reince Priebus, disse que a equipe de Trump está avaliando transferir as entrevistas coletivas tradicionalmente realizadas dentro da Casa Branca para um espaço mais amplo fora do prédio.

Segundo detalhou em entrevista à emissora "ABC", isto permitiria haver "mais imprensa e mais cobertura de todo o país".

A sala James Brady é um pequeno cômodo com espaço para cerca de 50 jornalistas situada na ala oeste da mansão presidencial e é a que abriga desde a época do ex-presidente Richard Nixon (1969-1974) as entrevistas coletivas.

Da mesma forma, nessa sala é onde o porta-voz da Casa Branca responde as perguntas dos jornalistas diariamente e, em algumas ocasiões, o próprio presidente se dirige à nação.

Horas antes das declarações de Priebus, a revista "Esquire" publicou um relatório que sugeria que não só a sala de conferências seria outra, mas também que os meios de comunicação que contam com correspondentes dentro da Casa Branca poderiam ser desalojados permanentemente de seu espaço de trabalho dentro da mansão presidencial.

Sobre esse tema, o diretor de comunicações da Casa Branca, Sean Spicer, reconheceu que existe "uma discussão" sobre o assunto.

Perante estas declarações, o presidente da Associação de Correspondentes da Casa Branca, Jeff Mason, publicou um comunicado assegurando que os jornalistas farão todo o que estiver em suas mãos para que o acesso à informação não seja limitado.

"Em nome de nossos membros, me reunirei com o futuro secretário de imprensa, Sean Spicer, para tentar ter maior clareza sobre o que estão sugerindo", disse Mason.

"A sala de imprensa está aberta a todos os repórteres que solicitem acesso. Apoiamos isso e sempre o faremos. A associação lutará para manter o acesso à sala de imprensa e aos cargos de alto escalão da Administração localizados na ala Oeste", acrescentou.

As decisões do governo Trump sobre como dar acesso ou não aos jornalistas ainda não foram confirmadas, mas a imprensa teme que a mudança da sala de imprensa fora da Casa Branca seja uma maneira de evitar o controle dos meios sobre suas ações.

"Nós nos opomos vigorosamente a qualquer movimento que possa proteger o presidente e seus conselheiros da apuração de um corpo de imprensa na Casa Branca", reforçou Mason.

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