Premiê britânica submeterá acordo final do "Brexit" ao parlamento

Viviana García.

Londres, 17 jan (EFE).- A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, apostou por um "Brexit" duro ao confirmar nesta terça-feira que seu país deixará o mercado único europeu e prometeu submeter o acordo final com Bruxelas à votação no parlamento britânico.

No palacete londrino de Lancaster House e na presença dos embaixadores dos outros 27 países-membros da União Europeia (UE), May deu hoje, pela primeira vez, detalhes de seu plano de negociação com Bruxelas, que começará assim que ativar o decisivo artigo 50 do Tratado de Lisboa, sobre a saída de um país comunitário do bloco europeu.

Após meses de incerteza sobre o modelo de relação que o Reino Unido procura com a UE após o "Brexit", a primeira-ministra explicou que o país deixará o mercado único, já que, de outra forma, não poderia limitar a livre circulação de cidadãos comunitários.

Se ficasse no mercado comum, o Reino Unido, na prática, não sairia totalmente do bloco, pois estaria submetido à legislação comunitária, indicou May, que, no entanto, afirmou que buscará negociar um acordo comercial "o mais amplo possível" com a UE, para benefício de ambas as partes.

O discurso de May foi criticado pelos políticos da oposição, que manifestaram inquietação pelas consequências fiscais que implicará a saída do mercado único.

O líder trabalhista, Jeremy Corbyn, acusou May de querer transformar o Reino Unido em um "paraíso fiscal à margem da Europa" pela possibilidade de o país se ver obrigado a criar uma economia com uma carga fiscal muito baixa.

Já o líder liberal-democrata, Tim Farron, criticou May por não submeter o acordo final ao voto dos britânicos e se limitar à autorização das duas câmaras parlamentares.

O sinal verde dos deputados é visto como crucial depois que um grupo de cidadãos levou o caso aos tribunais, alegando que o governo não pode ativar o artigo 50 sem a aprovação do parlamento, um processo que ainda precisa da sentença final do Supremo britânico, que será conhecida este mês.

Essa prometida votação provocou uma valorização da libra esterlina nos mercados após a queda de quase 20% quando a opção pelo "Brexit" saiu vencedora no referendo de 23 de junho.

A moeda britânica chegou a subir hoje mais de 2,5% frente ao dólar e mais de 1,5% em comparação ao euro.

Em seu longo discurso, que foi acompanhado com grande expectativa no Reino Unido e em outros países comunitários, May explicou que estabeleceu 12 metas para a negociação, entre as quais mencionou sua intenção de sair da união aduaneira porque, ao permanecer nela, impediria o país de negociar acordos comerciais com nações não comunitárias.

Além disso, a primeira-ministra admitiu que provavelmente terá que continuar fazendo contribuições aos cofres comunitários quando deixar a UE e defendeu a implementação de um acordo "transitório" entre Londres e Bruxelas que permita uma saída ordenada.

Em matéria de imigração, May reiterou que buscará "o mais rápido possível" um acordo para garantir os direitos dos comunitários que vivem no Reino Unido e dos britânicos que residem no continente, sem apresentar maiores detalhes.

Mesmo com o Reino Unido adotando suas próprias leis migratórias, a premiê disse que quer receber os cidadãos mais qualificados e os que queiram visitar seu país.

"Vamos continuar recebendo os mais brilhantes e os melhores para trabalhar e estudar no Reino Unido (...) a abertura ao talento internacional deve continuar sendo um dos ativos mais distintivos do país, mas este processo deve ser controlado adequadamente para que nosso sistema de imigração sirva ao interesse nacional", disse May.

A chefe de governo também comentou que sair da UE "não é uma rejeição aos valores" que o Reino Unido compartilha com os outros 27 países-membros da UE.

Entre seus pontos de destaque, a primeira-ministra prometeu que seguirá intercambiando material de inteligência com a Europa a fim de combater o crime e o terrorismo.

May também pediu aos "27" que compareçam às negociações com espírito "construtivo", para benefício das duas partes e porque o Reino Unido quer ser "um bom vizinho e aliado".

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