Presidente da Gâmbia declara estado de emergência antes da posse de sucessor

Dacar, 17 jan (EFE).- O presidente da Gâmbia, Yahya Jammeh, declarou estado de emergência nesta terça-feira por um período de três meses, a apenas 48 horas da posse do opositor Adama Barrow, vencedor das eleições presidenciais de dezembro, informaram à Agência Efe fontes de seu partido.

Perante a recusa de Jammeh em aceitar sua derrota e ceder o poder ao presidente eleito, vários países da África Ocidental, entre eles a Nigéria, decidiram enviar uma força militar à Gâmbia para que o líder respeite o resultado eleitoral.

Fontes do governo nigeriano asseguraram hoje à Efe que esta intervenção militar regional poderia começar "a qualquer momento".

Em dezembro, a Comunidade Econômica dos Estados de África Ocidental (Cedeao) já havia advertido que enviaria tropas para "para restabelecer a vontade do povo" se Jammeh continuasse se negando a ceder o poder.

Na ocasião, o presidente da Gâmbia considerou esta decisão regional uma "declaração de guerra" e um "insulto" à Constituição de seu país.

Por sua parte, o porta-voz da coalizão opositora liderada por Barrow, Halifa Sallah, assegurou à Efe que a decisão de decretar o estado de emergência é uma tentativa de impedir a posse do novo presidente prevista para quinta-feira.

"O estado de emergência não faz sentido já que não há distúrbios na Gâmbia, onde a população respeitou os apelos da oposição, que pediu calma e tranquilidade e para que não respondessem a nenhuma provocação", disse Sallah.

Ontem, em mensagem dirigida aos gambianos feita de Dacar, onde se refugiou momentaneamente por razões de segurança, Adama Barrow afirmou que prestará juramento no dia 19 de janeiro em solo gambiano, de acordo com Constituição e as leis do país.

Perguntado se o estado de emergência - que entra em vigor a partir de hoje - impedirá a posse de Barrow, o porta-voz da coalizão opositora garantiu que esse grupo vai se reunir nas próximas horas para analisar a situação e tomar as medidas oportunas.

Após aceitar sua derrota no pleito de 2 de dezembro, Jammeh voltou atrás para impugnar os resultados alegando supostos erros na apuração dos votos.

Desde então, a União Africana, a ONU e a comunidade internacional pediram a Jammeh, no poder há 22 anos, que se retire e aceite o veredito das urnas que reflete a vontade do povo gambiano.

Além disso, o presidente gambiano conta cada vez com menos apoios dentro de seu próprio governo, especialmente depois que hoje três de seus ministros tenham apresentado suas renúncias após pedir-lhe que deixe o poder.

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