Putin defende Trump de tentativas de deslegitimar sua vitória

Ignacio Ortega.

Moscou, 17 jan (EFE).- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, lançou uma mensagem nesta terça-feira em favor do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, ao denunciar as tentativas de deslegitimar sua "convincente" vitória eleitoral.

"Dá a impressão que, após ter ensaiado em Kiev, estão dispostos a organizar um Maidan (revolução ucraniana) em Washington para não deixar Trump assumir o cargo", disse Putin em entrevista coletiva.

Em particular, Putin pôs em dúvida que Trump tenha se encontrado com "prostitutas" em um hotel de Moscou, como denunciou a imprensa americana, ao mesmo tempo em que fez questão de destacar que não conhece pessoalmente o próximo inquilino da Casa Branca.

Após várias semanas sem mencionar Trump, Putin aproveitou a entrevista coletiva junto ao presidente da Moldávia, Igor Dodon, para assegurar que nos EUA continua "a azeda luta política", apesar das eleições presidenciais terem terminado "com a convincente vitória do senhor Trump".

"Do meu ponto de vista, no transcurso dessa luta se colocaram vários objetivos, pode ser que mais, mas alguns são evidentes. O primeiro deles é diminuir a legitimidade do presidente eleito dos EUA", disse Putin, inimigo declarado da derrotada candidata democrata Hillary Clinton.

Putin advertiu que essas tentativas de deslegitimação estão causando um grande prejuízo aos interesses nacionais dos EUA, "queiram ou não os que estão fazendo isso".

O líder russo ressaltou que o segundo objetivo é "atar os pés e as mãos do recém eleito presidente quando tentar cumprir as promessas que fez ao povo americano durante a campanha eleitoral tanto dentro do país como na arena internacional".

Putin lembrou que quando Trump foi a Moscou, há vários anos, era um empresário, não um político, e destacou que em Moscou não se sabia que tinha "ambições políticas".

"Era um simples empresário. Um dos mais ricos dos EUA. Alguém acredita que os serviços secretos (russos) seguem cada milionário americano? Certamente que não. Isso é uma completa bobagem", salientou.

Quanto a seu suposto encontro com "prostitutas", Putin, amigo pessoal do ex-primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi - alvo de acusações similares -, garantiu que Trump "é um homem adulto e, além disso, uma pessoa que durante muitos anos organizou concursos de beleza".

"Ele se relacionava com as mulheres mais belas do mundo. Me custa muito imaginar que ele corresse para um hotel para reunir-se com nossas meninas de moral duvidosa. Sem sombra de dúvidas, são as melhores do mundo, mas duvido que Trump tenha feito isso", destacou.

O chefe do Kremlin tachou a prostituição de "lamentável fenômeno social", mas ressaltou que as pessoas que fazem falsas acusações contra Trump e as utilizam na luta política "são piores que as prostitutas e não tem nenhum limite moral".

Putin comentou ainda que isso evidencia "o considerável nível de degradação da elite política no Ocidente, incluindo os Estados Unidos".

"Não conheço o senhor Trump e nunca me reuni com ele. Também não sei o que fará na arena internacional, por isso não tenho motivos para atacá-lo, criticá-lo por algo, nem defendê-lo por qualquer motivo", frisou.

Putin recorreu à ironia ao assegurar, em clara alusão ao Nobel da Paz concedido ao presidente em fim de mandato, Barack Obama, que a Rússia não se dirigirá "ao Comitê Nobel para que concedam (a Trump) o Nobel de Matemática, Física ou qualquer outra coisa".

Por sua vez, criticou Obama por não saber sair, em alusão à última série de sanções contra o Kremlin e a expulsão de diplomatas russos dos EUA, embora tenha evitado responder na mesma moeda para dar uma oportunidade a Trump, que expressou seu desejo de se dar bem com o líder russo.

"Há uma categoria de pessoas que vão embora sem despedir-se por respeito (...). E há outras que estão se despedindo eternamente, mas nunca vão embora. Vejam a Administração que está saindo. Eu acho que pertence à segunda categoria", alfinetou.

Além disso, Putin voltou a negar um suposto ciberataque russo durante a campanha eleitoral americana, mas lembrou que hackers não coletaram nem inventaram nada, mas simplesmente divulgaram documentos.

No entanto, se mostrou "convencido" que "afinal de contas" será possível restabelecer "relações normais" tanto com os EUA como com os países europeus que permitam o desenvolvimento da economia e garantam a segurança no mundo.

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