Chefes militares aliados dizem que "relevância" da Otan é "inquestionável"

Bruxelas, 18 jan (EFE).- O presidente do Comitê Militar da Otan, o general tcheco Petr Pavel, afirmou nesta quarta-feira que a "relevância" da Otan é "inquestionável", em resposta à afirmação do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, que tachou a organização de "obsoleta".

"Estou convencido de que a Otan é tão relevante hoje como o era antes", disse Pavel em entrevista coletiva após uma reunião dos chefes de Defesa do Comitê Militar aliado.

Segundo Pavel, a Otan "evolui como qualquer outra organização e se adapta a novas situações".

"Podemos obviamente discutir sobre o alcance ou o ritmo da adaptação, mas acredito que a relevância da Otan não está em questão", acrescentou.

A reunião dos responsáveis militares da Aliança serviu para abordar assuntos como a "preocupação" pelas tentativas da Rússia de "reforçar sua influência no mundo todo".

Questionado sobre a sintonia que o presidente russo, Vladimir Putin, mostrou com o futuro presidente americano e se isso pode influir na crise na Ucrânia, Pavel se limitou a pedir tempo até que Trump assuma o cargo.

"Nós militares fazemos nossas avaliações mais em cima de políticas do que sobre declarações individuais, portanto esperarei pelo novo governo e então poderemos ver", indicou.

O comandante supremo aliado para a Europa, o general americano Curtis Scaparrotti, afirmou que, sobre a Rússia, a Otan "avalia ações e adapta sua postura adequadamente".

Scaparrotti acrescentou que a Aliança seguirá respondendo às "ações malignas da Rússia, de agressão (...) com força e equilíbrio".

Sobre a possibilidade de potencializar os contatos com militares russos, Pavel disse que tal diálogo deve ter "regras claras" e servir para objetivos como "a redução de riscos e a transparência" dos exercícios de ambos.

"Se enviamos especialistas a Moscou ou a outros lugares, qual seria seu mandato, a agenda de suas reuniões? Teriam que começar falando a partir de um ponto muito geral?", se perguntou.

Assim, Pavel se mostrou a favor de, em primeiro lugar, "restabelecer os contatos, uma certa confiança básica, ter uma agenda" e dar então aos especialistas "o mandato do que têm que discutir".

"Já fizemos a proposta e agora estamos esperando a reação de Moscou", afirmou.

No que diz respeito à cooperação com a Turquia, após o golpe de Estado fracassado de julho do ano passado e os distúrbios que se seguiram, Pavel garantiu que a Otan tem "total confiança em nossos colegas militares turcos".

"Estão fazendo um trabalho da mesma qualidade que antes e empregam todos os esforços para prencher as lacunas, embora em números ligeiramente inferiores".

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