Em última coletiva como presidente, Obama defende perdão a Chelsea Manning

Washington, 18 jan (EFE).- O presidente em fim de mandato dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu nesta quarta-feira a polêmica decisão de comutar a pena da ex-soldado Chelsea Manning, que em 2010 vazou um número recorde de documentos secretos ao portal Wikileaks e sobre a qual considerou já ter cumprido uma "dura" pena na prisão.

Obama também comentou, em sua última entrevista coletiva antes de deixar a Casa Branca, que não presta atenção "nos tweets de (Julian) Assange", fundador do Wikileaks e que disse estar disposto a ir aos Estados Unidos se tiver "direitos" garantidos.

Manning, privada de liberdade há 7 anos como parte da pena de 35 anos de prisão, "passou uma significativa quantidade de tempo" na prisão, segundo lembrou Obama ao explicar a decisão, anunciada na terça-feira, de comutar a sentença.

Dessa forma, Manning, ex-analista de inteligência militar que se chamava Bradley e começou um tratamento de mudança de sexo para se tornar mulher na prisão militar do Kansas, onde tentou se suicidar duas vezes, será liberada no dia 17 de maio.

Obama disse se sentir "muito cômodo" com a decisão sobre Manning por acreditar que a justiça foi feita. Na semana passada, o Wikileaks havia informado que Assange "aceitaria sua extradição aos Estados Unidos" se Obama garantisse "clemência a Manning".

"Assange acredita que ganharia qualquer julgamento justo nos Estados Unidos", afirmou o portal pelo Twitter nesta quarta-feira, após a decisão de Obama de comutar a pena a Manning.

Em resposta, Obama afirmou que não presta "muita atenção" nos tweets de Assange, por isso sua proposta de viajar aos EUA "não foi uma consideração" no caso de Manning.

Além disso, o presidente americano encaminhou os jornalistas ao Departamento de Justiça para "qualquer investigação criminal, formulação de acusações ou assuntos de extradição que possam surgir" a respeito de Assange.

Aos 45 anos, Assange está refugiado desde 2012 na Embaixada do Equador em Londres para evitar a deportação à Suécia, de modo a esclarecer seu suposto envolvimento em estupro "em grau menor".

As autoridades americanas confirmaram que o FBI investiga a publicação de informação sensível através do Wikileaks por causa dos vazamentos de Manning, apesar de não revelarem se Assange foi acusado formalmente em um tribunal secreto.

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