Paquistão diz que não soltará médico que ajudou CIA a encontrar Bin Laden

Islamabad, 18 jan (EFE).- O governo do Paquistão afirmou que não vai libertar nem entregar aos Estados Unidos o médico que ajudou a CIA a encontrar Osama bin Laden, condenado a 23 anos de prisão por pertencer a um grupo terrorista, informou à Agência Efe o porta-voz do Ministério da Justiça, Abbas Akbar.

Conforme explicou, o titular dessa pasta, Zahid Hamid, garantiu ontem no Senado que "Afridi infringiu a lei e trabalhou contra o interesse nacional" e que, como reiterou o Paquistão aos Estados Unidos, "cometeu um crime e enfrenta o processo por isso".

"A lei segue seu curso e Afridi está tendo o tratamento judicial justo", acrescentou o ministro, segundo o porta-voz.

Hamid afirmou na Câmara Alta do Paquistão que Afridi é considerado um "herói" nos Estados Unidos por sua ajuda para localizar Bin Laden, mas que no Paquistão é tido como "traidor" que colocou em risco a campanha de vacinação da pólio.

"Ele prejudicou gravemente a campanha de vacinação da pólio e 50 profissionais de vacinação foram assassinados por suspeitas que serem agentes de inteligência estrangeira", indicou o ministro.

A ratificação da posição do governo no caso surge depois que Tariq Fatemi, o número dois das Relações Exteriores do Paquistão, afirmou em meados de dezembro nos Estados Unidos que seu país estava disposto a discutir a situação de Afridi. Fatemi estava em Washington estabelecendo contatos com a futura Administração do presidente eleito, Donald Trump, que durante a campanha eleitoral afirmou que se fosse eleito conseguiria a libertação de Afridi rapidamente. Essa afirmação levou o governo paquistanês a qualificar a Trump de "ignorante".

Afridi participou de uma falsa campanha de vacinação na cidade paquistanesa de Abbottabad orquestrada pela CIA para conseguir amostras de DNA de Bin Laden e foi detido pouco depois da morte do terrorista em uma operação de comandos especiais dos Estados Unidos em 2 de maio de 2011. Um ano depois, Afridi foi condenado a 33 anos de prisão por vínculos com grupos terroristas, uma sentença que foi diminuída a 23 anos de prisão em 2014. O médico entrou com recurso e ainda aguarda audiência.

A condenação foi muito criticada dentro e fora do Paquistão, e os Estados Unidos qualificaram a decisão como injusta e desnecessária. EFE

jlr/cdr

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