Parlamento da Gâmbia autoriza Jammeh a seguir como presidente por 3 meses

Dacar, 18 jan (EFE).- O parlamento da Gâmbia aprovou a declaração do estado de emergência feita ontem pelo presidente, Yahya Jammeh, o que autoriza o líder derrotado nas eleições a permanecer no poder por mais três meses, segundo a moção divulgada nesta quarta-feira por veículos de imprensa locais.

A Assembleia Nacional de Gâmbia, cujo mandato também foi prorrogado por três meses, tomou esta decisão no final da noite de ontem, apenas 24 horas antes de Jammeh ceder o poder ao opositor Adama Barrow, que venceu as eleições presidenciais de 1º de dezembro.

"Esta Assembleia considera e aprova uma resolução sobre a declaração do estado de emergência na Gâmbia por um período de 90 dias, vigente de 17 de janeiro a 17 de abril de 2017", diz o texto parlamentar.

A resolução também "estende a vida" da Assembleia Nacional por um período de 90 dias entre 11 de abril e 11 de julho de 2017, segundo o texto.

Os deputados também condenaram "a ilegal e maliciosa interferência nos assuntos internos da Gâmbia do Conselho de Paz e Segurança da União Africana, do governo da República do Senegal e do representante do Senegal no Conselho de Segurança da ONU".

Milhares de turistas britânicos começaram hoje a ser repatriados da Gâmbia depois que as autoridades do Reino Unido recomendaram que seus cidadãos não viajassem para esse país por causa da crise interna, informou a operadora de turismo Thomas Cook.

Diante da recusa de Jammeh a aceitar sua derrota eleitoral e ceder o poder ao presidente eleito, vários países de África Ocidental, entre os quais se encontra a Nigéria, determinaram ontem o envio de tropas à Gâmbia para que o líder respeite o resultado eleitoral.

Em dezembro, a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) já havia advertido que enviaria uma força militar para "restabelecer a vontade do povo", se Jammeh continuasse se recusando a ceder o poder.

Barrow assegurava até ontem, em mensagem dirigida aos gambianos desde Dacar, no Senegal, onde se refugiou momentaneamente por razões de segurança, que faria seu juramento em 19 de janeiro em solo gambiano, conforme à Constituição e as leis do país.

Após aceitar a derrota no pleito de 2 de dezembro, Jammeh voltou atrás para tentar impugnar os resultados devido a supostos erros na apuração dos votos.

Desde então, a União Africana, a ONU e a comunidade internacional pediram a Jammeh, que está no poder há 22 anos, que se retire e aceite o veredicto das urnas que reflete a vontade do povo gambiano.

Além disso, o líder gambiano conta com cada vez menos apoio dentro de seu próprio governo, especialmente depois que três de seus ministros renunciaram ontem após pedidos para que cedesse o poder. EFE

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