Dirigente do Sinn Féin abandona política por doença "grave"

Dublin, 19 jan (EFE).- O dirigente do Sinn Féin e ex- vice-ministro principal da Irlanda do Norte, Martin McGuinness, anunciou nesta quinta-feira que abandonou a política para recuperar-se de um problema "grave" de saúde.

O líder nacionalista, de 66 anos, renunciou há duas semanas a seu posto no governo autônomo de poder compartilhado entre protestantes e católicos, o que provocou sua queda e obrigou Londres a convocar eleições regionais para o próximo dia 2 de março.

O "número dois" do Sinn Féin, ex-comandante do já inativo Exército Republicano Irlandês (IRA) durante parte do conflito, explicou hoje que "tem muito no que refletir" e que não concorrerá aos pleitos de março.

"A pergunta que me fiz é se seria capaz de enfrentar cinco ou seis semanas de intensas eleições. Em seguida cheguei à conclusão que não estou em condições físicas para aguentar essa campanha", explicou McGuinness.

O dirigente republicano revelou que tinha pensado em abandonar a vida política no próximo mês de maio, coincidindo com o décimo aniversário da formação de um Executivo com o majoritário Partido Democrático Unionista (DUP), liderado então pelo já falecido reverendo protestante Ian Paisley.

No entanto, não teve "outra alternativa" que antecipar essa decisão para o último dia 9 de janeiro, quando renunciou em protesto pela gestão de um escândalo financeiro detectado na política de energias alternativas do governo norte-irlandês, liderado pelo líder do DUP, Arlene Foster.

"Deus sabe como tudo isto acabará. Mas está claro que não se trata apenas de um caso de incompetência, mas as acusações de corrupção são várias", afirmou McGuinness.

Em relação à sua saúde, o político confessou está há meses lutando contra uma "doença muito grave", mas confia que conseguirá recuperar-se totalmente.

McGuinness informou que o Sinn Féin anunciará na próxima semana o nome da pessoa que liderará o partido nas eleições autônomas, nas quais espera-se que volte a ser a segunda força mais votada, o que lhe afiançará como o principal representante da comunidade católica-nacionalista na província britânica.

Embora se retire da primeira linha política, reiterou que, assim que recuperar a saúde, quer continuar sendo um "embaixador para a paz, unidade e reconciliação".

"Sempre achei que a reconciliação é a peça-chave do processo de paz", destacou o ex-dirigente do IRA, considerado, junto ao presidente do Sinn Féin, Gerry Adams, como um dos arquitetos do processo de paz norte-irlandês.

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