Enviado do Vaticano não comparecerá a reuniões de diálogo na Venezuela

Caracas, 19 jan (EFE).- O enviado do Vaticano para as conversas entre o governo da Venezuela e a oposição, monsenhor Claudio María Celli, não comparecerá às próximas reuniões de diálogo no país, em meio às dúvidas que pairam sobre a continuidade dos encontros, informou nesta quinta-feira a oposição venezuelana.

"Desejo informar que S.E. Mons. Claudio María Celli, delegado do papa para a mesa de diálogo na Venezuela, renunciou a sua visita a Venezuela para os próximos dias, portanto não participará das possíveis reuniões previstas para estes dias", afirmou Aldo Giordano, núncio apostólico no país, em uma carta enviada à aliança opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD).

Alémm disso, Giordano acrescentou na carta que a Santa Sé o designou como delegado "para estes eventuais encontros".

As negociações entre governo e oposição entraram em dezembro em uma "fase de revisão" devido ao descumprimento dos acordos, algo do qual ambas as partes se acusam mutuamente.

O Vaticano expressou em dezembro em uma carta privada, da qual a Agência Efe teve acesso, sua "preocupação" pelos resultados pouco encorajadores do diálogo entre o governo e seus opositores, e pediu que se cumpra o compromisso de elaborar um calendário eleitoral para conseguir uma saída para a crise.

O secretário da MUD, Jesús Torrealba, agradeceu hoje a Celli, em outra carta, sua participação nas reuniões que aconteceram entre 30 de outubro e 6 de dezembro de 2016 em Caracas.

Torrealba afirmou que a oposição "compreende" as razões que "levam a Santa Sé a não enviar Celli nas presentes circunstâncias".

"Tais razões estão nitidamente desenhadas nas quatro reivindicações ao governo venezuelano, contundentes e ainda insatisfeitas, refletidas na carta de S.E. Mons. Pietro Cardeal Parolin, Secretário de Estado do Vaticano, datada em 1º de dezembro de 2016", afirmou o porta-voz da aliança opositora, aludindo aos supostos motivos da renúncia de Celli, razões que não foram manifestadas diretamente pela Igreja Católica.

Além disso, o secretário da MUD diz no texto que a "ausência" poderia ser "uma forma de exercer presença".

"Fazemos votos de que este gesto significativo do papa Francisco, ao renunciar a enviar seu delegado à visita que estava prevista nos próximos dias a nossa Venezuela, faça o governo nacional refletir sobre o que fizeram para colapsar o mecanismo de diálogo", disse Torrealba.

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