Juventudes do partido governante no Burundi torturam e matam, denuncia HRW

Nairóbi, 19 jan (EFE).- Membros das juventudes do partido governante no Burundi, as milícias conhecidas como Imbonerakure, torturaram e mataram pessoas em todo o país nos últimos meses, denunciou nesta quinta-feira a organização Human Rights Watch (HRW).

Estas milícias agem em um ambiente de "impunidade" perante a rejeição do governo de Pierre Nkurunziza de julgar os membros do grupo, em um contexto de grave crise política e humanitária que se prolonga desde 2015.

Nos últimos três meses, membros das Imbonerakure (que em língua kirundi significa "aqueles que veem longe") cometeram crimes usando paus, facas e outros artefatos.

Milicianos espancaram até a morte um menor de 15 anos e deixaram cego outro jovem utilizando uma faca, além de saquear quem atravessa as barricadas que instalam em estradas do país, segundo denúncias recebidas pela organização.

"Os burundineses vivem com medo do próximo ataque, temerosos de falar para denunciar os assassinatos, as torturas e outros abusos", disse a diretora da HRW para a África Central, Ida Sawyer.

O caos se instalou no país em abril de 2015, quando Nkurunziza anunciou que ia concorrer à reeleição para um terceiro mandato, apesar de a Constituição burundinesa e os acordos de paz que puseram fim à guerra civil em 2000 proibir.

A partir de então, as forças de segurança do governo e as milícias Imbonerakure reprimiram violentamente os protestos contra o presidente.

Desde o início da crise, a Polícia e os agentes de inteligência utilizaram membros das Imbonerakure para identificar opositores na capital, Bujumbura.

Alguns dos detidos por estas milícias, que não têm capacidade legal para deter ninguém, foram torturados posteriormente pelas forças de segurança.

Os integrantes das juventudes nunca são detidos por estes abusos, a não ser que os denunciantes paguem um suborno aos funcionários da Justiça encarregados de ver seus casos, e mesmo assim é complicado porque muitos juízes são próximos ao governo, confessaram entrevistados à HRW.

No último ano e meio, centenas de pessoas foram assassinadas, outras foram torturadas ou desapareceram, 325 mil burundineses se viram forçados a fugir e vários veículos de imprensa independentes e ONGs que operavam no país foram fechadas.

Em resposta às informações reveladas pela HRW, a assessora de comunicação do partido de Nkurunziza, Nancy-Ninette Mutoni, disse que as Imbonerakure realizam sua atividade política "com calma e serenidade" e que não tem notícias de abusos.

A HRW pediu à ONU que estabeleça sanções e, ao Tribunal Penal Internacional, que averigue os supostos abusos das Imbonerakure.

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