Trump e a economia: a estratégia do chicote e da cenoura

Alfonso Fernández.

Washington, 19 jan (EFE).- Às vésperas de sua posse, o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, já deixou exemplos de seu plano econômico, entre eles a coação às empresas para evitar a fuga de empregos para o exterior, a ênfase na redução de impostos e na diminuição da regulação federal.

Trump parece convencido de que a melhor estratégia é a do chicote e da cenoura: ameaças contundentes e promessas desmesuradas. Algo que ele aplicou de maneira persistente desde sua vitória nas eleições de novembro do ano passado.

"Vou ser o maior produtor de empregos que Deus jamais criou", afirmou o presidente eleito no último dia 11, em sua primeira entrevista coletiva em seis meses.

Durante a campanha eleitoral, Trump chegou a afirmar que "é hora de estabelecer um objetivo nacional de crescimento anual de 4%", embora tenha dito que esse número, não registrado nos EUA em uma década e meia, pode ser melhorado.

Enfatizando o gosto pelos superlativos, o indicado para dirigir o Tesouro dos EUA, Steve Mnuchin, repetiu a aposta de seu chefe de que será realizado "o maior corte de impostos" desde a presidência de Ronald Reagan (1981-1989).

Mnuchin destacou também que a prioridade em matéria financeira será desmontar a lei Dodd-Frank, projetada pelo governo de Barack Obama para reforçar o sistema de regulação financeira após a crise de 2008.

Se Trump já esgrimiu as frequentes receitas neoliberais de rebaixamento de impostos e desregulação, deu a elas um toque pessoal com sua defesa veemente do nacionalismo comercial.

"As empresas não vão sair dos Estados Unidos nunca mais sem consequências. Não podemos permitir que isto ocorra com nosso país. Há muitos empregos saindo e sendo transferidos a outros países", disse em dezembro o bilionário em uma visita a uma unidade da fabricante de fornos e aparelhos de ar condicionado Carrier em Indiana.

Após as ameaças do presidente eleito, que transformou a Carrier no centro de suas críticas durante a campanha, a empresa concordou em eliminar seu plano de mudança para o México e manter em Indiana cerca de mil empregos em troca de substanciais rebaixamentos de impostos.

Trump rapidamente se deu crédito por esta conquista e fez o mesmo quando as montadoras Ford e Fiat Chrysler anunciaram investimentos multimilionários nos EUA. Em sua conta pessoal no Twitter, que se transformou em seu escritório de imprensa pessoal, comemorou a notícia no início de mês.

"Finalmente está acontecendo, a Fiat Chrysler acaba de anunciar planos para o investimento de US$ 1 bilhão em Michigan e Ohio (...) Isto depois que na semana passada a Ford disse que expandirá em Michigan e nos EUA ao invés de construir uma fábrica no México. Obrigado, Ford & Fiat C", escreveu o presidente eleito.

Os empresários, no entanto, tentaram manter a cautela frente a este enfoque personalista e intervencionista.

A Câmara de Comércio dos EUA, principal associação empresarial do país, minimizou a importância das advertências protecionistas de Trump e garantiu que as empresas estão fazendo "um bom trabalho se adaptando" ao novo governo.

O presidente da entidade, Thomas Donohue, avaliou nesta semana em entrevista coletiva que "os executivos destas empresas não estão mudando os planos de investimento, estão fazendo pequenos ajustes" e lembrou que "se você dirige uma grande empresa, certamente vai receber ligações do governo".

Além disso, em um exercício de pragmatismo, Donohue ressaltou as altas registradas nos mercados financeiros, com Wall Street alcançando recordes históricos, desde a vitória de Trump nas eleições de novembro.

"As ações destas empresas caíram a princípio, mas posteriormente se recuperaram e atualmente estão em níveis inclusive superiores", declarou.

O grande assunto pendente, no entanto, são os acordos comerciais internacionais, cujos retrocessos, segundo os analistas, poderia iniciar uma reação em cadeia que ameaça arrefecer o crescimento global dado o peso específico da primeira economia mundial.

Trump já jogou por terra os planos de ratificação do Tratado Transpacífico (TPP) entre EUA e 11 países da Bacia do Pacífico, que a Câmara americana tinha impulsionado, e deixou no limbo o pacto com a União Europeia, o acordo transatlântico de livre-comércio e investimentos (TTIP).

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