UE acredita que Trump fortalecerá vínculos entre EUA e Europa

Rosa Jiménez.

Bruxelas, 19 jan (EFE).- A União Europeia (UE) se mantém na expectativa sobre a posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos e acredita que o magnata se afastará das posições mais extremas de sua campanha e confirmará seu apoio ao vínculo entre seu país e o bloco, apesar de suas últimas declarações terem gerado certa preocupação.

Por enquanto, os países europeus concordam em sua maioria com a tese defendida pelo ministro das Relações Exteriores e Cooperação da Espanha, Alfonso Dastis, depois que Trump venceu as eleições de novembro, de "dar uma oportunidade e julgar depois".

"À medida em que Trump for conhecendo a UE e a Otan por dentro e participando de seus trabalhos, espero que mude de opinião", insistiu Dastis na última segunda-feira, poucas horas depois de, em entrevista, Trump tachar a aliança militar como "obsoleta" e de dizer que o "Brexit" é algo "bom", além de prever que mais países deixarão a UE.

Outros países, como a Holanda, declararam em voz alta o que delegações diplomáticas não abordam abertamente: que o discurso de Trump é "preocupante".

"Trump mostra pouca fé em instituições como a ONU, a Otan e a UE. Veremos na práticase continua sendo assim", ressaltou o chefe da diplomacia holandesa, Bert Koenders.

Por sua vez, o presidente da Comissão Europeia (CE), Jean-Claude Juncker, não acredita que Trump irá cumprir todas as promessas que fez em uma campanha que chegou a chamar de "asquerosa".

"É legítimo dizer que simplesmente não sabemos" as intenções do novo governo, comentou outro diplomata europeu.

"Neste ponto, é mais ou menos fútil especular se Trump manterá suas promessas ou terá que abandoná-las diante de limitações práticas ou necessidades inerentes do sistema político nos EUA e no cenário internacional", declarou à Agência Efe a diretora do escritório de Bruxelas do centro de estudos Bertelsmann Stiftung, Stefani Weiss.

Em todo caso, admitiu Stefani, "a incerteza sobre seus planos políticos prevalece e tudo parece possível".

Apesar de reconhecer que pode haver "uma diferença" entre a retórica de campanha de Trump e as políticas que aplicar no cargo, para o diretor sênior de Política Externa do centro de estudos para a cooperação transatlântica German Marshall Fund, Ian Lesser, "o estilo também importa".

"A evidente diferença no estilo que vimos no enfoque de Trump quanto à política externa é provável não mude. Mas a posição de esperar e ver é compreensível", disse à Agência Efe o analista.

Durante sua campanha, Trump questionou a utilidade da Otan, negou a mudança climática e prometeu desamarrar os EUA de acordos comerciais como o TTP e o Nafta.

Segundo Stefani, é crucial ver se Trump volta atrás na atual política comercial e exige, como sugeriu, que as montadoras europeias levem suas fábricas no México ao território americano.

"A UE pode perder vantagens em sua indústria no México, onde fez grandes investimentos", lembrou.

A respeito do acordo de livre-comércio negociado por UE e EUA, o TTIP, Lesser e Stefani concordam que, "da maneira com que foi concebido, provavelmente está morto", embora apontem que o pacto "pode ressucitar" se for mantida "a confiança" entre as partes, cuja evolução é "muito incerta".

Enquanto isso, a Otan se mantém "absolutamente segura" de que Trump "manterá seu compromisso" com a Aliança.

Para Lesser, "no fim, os EUA seguirão sendo um aliado de confiança dentro da Otan", levando em conta que aos americanos interessa manter a estabilidade na Europa.

Outra área "com um ambiente já complicado e cujo debate é difícil imaginar que será tranquilo" é a de proteção de dados, segundo Lesser, que no entanto considerou que as iniciativas para cooperar na luta antiterrorista "continuarão fortes, apesar de possíveis diferenças políticas".

"Contra o terrorismo, confiamos na informação que os EUA nos oferecem", ressaltou Stefani.

Sobre os supostos ciberataques do Kremlin para interferir nas eleições americanas, Lesser disse que o presidente russo, Vladimir Putin, "vai tentar desestabilizar Ocidente", embora reconheça que a sintonia mostrada até agora com Trump pode "ser positiva" para a resolução de conflitos.

O analista espera do novo governo "um enfoque mais pragmático do que baseado em valores: Trump fará política externa como faz negócios, buscando obter lucro. É um negociador", ressaltou.

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