As "anti-posses" de resistência a Trump

Cristina García Casado.

Washington, 20 jan (EFE).- Por baixo do luxuoso traje de gala oficial, existe uma parte da capital dos Estados Unidos, no coração progressista da cidade, que pretende enviar uma mensagem de resistência a Donald Trump, um presidente rejeitado por 95,9% dos novos vizinhos.

Muito perto de onde terminam as arquibancadas e as decorações patrióticas para as festividades de posse desta sexta-feira, teatros, casas de shows e bares exibem os cartazes de dezenas de eventos em defesa da diversidade que agora veem ameaçada.

"A anti-posse", "Baile da paz: vozes de esperança e resistência", "Não minha posse", "Poesia de rebelião e resistência", "Não, obrigado: uma noite de sons antifascistas" são algumas das iniciativas com as quais Washington DC, uma das cidades mais progressistas do país, se distancia do novo presidente.

Os recursos arrecadados nestes eventos serão doados para associações que trabalham a favor dos coletivos que se sentem ameaçados pelo governo Trump: imigrantes, mulheres, pessoas de baixa renda e vítimas de abuso sexual.

"Vamos começar a mobilizar as pessoas para os próximos anos", explicou Maegan Wood, publicitária do Black Cat, um dos redutos da música independente da cidade.

Wood recordou os dias anteriores às cerimônias de posse do presidente Barack Obama (2009 e 2013) e falou de "uma sensação muito, muito, diferente" à que agora é percebida na cidade.

"Passar de Obama para Trump é algo difícil demais de aceitar", contou Tiffany, uma jovem negra que viveu a "emoção coletiva" da primeira posse de Obama em 2009 e agora observa com tristeza o "pesadelo" da transição.

Nos folhetos dos eventos, fica claro o medo provocado pelo governo Trump: "Resistimos como mulheres, homossexuais, indígenas, pessoas de cor, muçulmanos e imigrantes para enfrentar os desafios dos próximos quatro anos", diz o "Cabaré solidário".

Outros são ainda mais contundentes: "O governo Trump presume de traços autoritários clássicos. Estamos em alerta. É imperativo que nos unamos para resistir e lutar contra este perigo claro e presente", diz o folheto do "Sons antifascistas".

Mais sutis foram os responsáveis pelo Suns Cinema, que sem mencionarem Trump agendaram para hoje o clássico "O Grande Ditador", de Charles Chaplin. Na mesma linha, a cafeteria e livraria Kramerbooks exibe nesta semana um livro sobre a ascensão do ditador nazista Adolf Hitler junto a outro sobre Trump.

No Busboys and Poets, outro reduto progressista da cidade, as palavras "resistência", "esperança" e "paz" são preponderantes em seus eventos, embora uma visita ao restaurante-livraria seja suficiente para comprovar que o público está muito preocupado em relação à chegada de Trump ao poder.

"Desde que ele ganhou, estamos vendendo muitos livros que explicam como isso pôde acontecer e o que significa para a nossa democracia. As pessoas querem entender algo que resistem em acreditar", explicou Justin, por trás de uma prateleira de livros sobre feminismo e mobilização social.

"Talvez agora mais gente precise deste refúgio que o Busboys sempre foi para os progressistas", acrescentou Marquis, outro jovem leitor.

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