Protestos contra Trump reúnem cidadãos em todo o mundo

Redação Central, 21 jan (EFE).- Centenas de milhares de pessoas se manifestaram neste sábado em várias cidades de todo o mundo em defesa de seus direitos e em protesto pela posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, em uma mobilização histórica e mundial que só em Washington concentrou meio milhão de pessoas.

O principal protesto aconteceu na capital americana exatamente um dia depois da posse de Trump, cuja chegada à Casa Branca foi recebida como uma "ameaça" aos direitos das mulheres, de acordo com os organizadores da manifestação.

A Marcha das Mulheres em Washington, por exemplo, teve contou com as atrizes Scarlett Johanson e Ashley Judd e o cineasta Michael Moore, que rasgou a edição de um jornal que noticiava a entrada de Trump para o governo americano.

Um dos itens que chamaram a atenção foram os gorros rosa com orelhas de gatinho, os pussy cat, usados por várias manifestantes em resposta ao polêmico comentário de Trump de que as mulheres devem ser agarradas pelas partes íntimas. A ideia era brincar com as palavras, já que "pussy" significa "gato pequeno", mas em tom pejorativo é usado para designar "bu××ta".

O protesto, que também contou com a participou o ex-secretário John Kerry, surgiu de um grupo de jovens que não acreditava que um candidato que tinha sido acusado de assédio sexual e feito comentários pejorativos sobre o sexo feminino tivesse vencido as eleições em novembro.

À convocação de Washington se somaram outras 600 cidades de todo o mundo, principalmente da Europa. Em Londres cerca de 80 mil pessoas participaram de uma passeata até Trafalgar Square, que teve a presença do prefeito, Sadiq Khan, e que contou com o apoio de grupos como Anistia Internacional (AI), Greenpeace e Oxfam.

"Nos manifestaremos pela proteção de nossos direitos fundamentais e para proteger nossas liberdades que estão ameaçadas pelos recentes eventos políticos", dizia o texto de convocação divulgado na internet.

Desde o início da manhã, diversas estações de metrô do centro de Londres estavam lotadas de pessoas que se dirigiam ao protesto carregando cartazes. Em Manchester, Edimburgo, Belfast, Liverpool e Cardiff, entre outras cidades do Reino Unido, foram realizados protestos semelhantes.

Em Paris outros 2 mil manifestantes se reuniram em apoio à "Marcha das Mulheres" de Washington, convocados pelo movimento francês "Osez le féminisme!", perto da Torre Eiffel, com mensagens em favor da resistência e da luta contra o que Trump representa. Além de Paris, cidades como Estrasburgo e Marselha se solidarizaram ao evento.

Já em Barcelona centenas de mulheres se manifestaram em uma passeata sem incidentes pelo centro da cidade e que contou com a presença de americanos que moram na Catalunha e regiões próximas. O manifesto da convocação, promovida por organizações feministas e de defesa dos direitos humanos, ressaltava que não é possível ficar "indiferente" ao ver como "o novo presidente da primeira potência mundial se preparar para aplicar sua ideologia com violência sexista, racista, xenófoba e homofóbica, que defendeu durante a campanha".

Também em Genebra milhares de pessoas participaram de um protesto pacífico, com a participação de muitas famílias em um ambiente festivo e sem que incidentes. Os participantes desafiaram o frio e marcharam com balões e cartaze que pediam igualdade e tolerância.

A onda contrária a Trump chegou ao outro lado do mundo e, apesar de na China não ter o costume de fazer protestos por conta da pouca tolerância das autoridades comunistas perante qualquer forma de expressão coletiva em público, algumas pessoas manifestaram apoio à passeata da capital americana. Dezenas de pessoas, principalmente ocidentais, se reuniram em Pequim, na popular Sanlitun, convocadas sob o lema "Remember & Resist" (Lembrar e resistir) pela entidade "Democrats Abroad" do Partido Democrata americano.

Durante o ato, foram ouvidos vários pequenos discursos que pediam aos participantes para "resistir" durante os próximos quatro anos e para acender velas em sinal de respeito as demais manifestações.

Em Lisboa dezenas de mulheres se concentraram na porta da embaixada americana para apoiaram a Marcha das Mulheres, protestos que aconteceram também em Porto, Coimbra, Braga e Faro.

Em Buenos Aires a participação foi menor. Na capital argentina, cerca de 100 pessoas se reuniram na frente da embaixada americana no bairro de Palermo para apoiar a grande manifestação de Washington. Organizações como "Ni Una Menos" participaram da mobilização, na qual dezenas de mulheres levaram cartazes com mensagens como "#NotMyPresident" ou "Desculpe o transtorno, estão nos matando".

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos