Em Astana, governo e rebeldes sírios têm nova chance para conseguir paz

Azza Guergues.

Astana, 22 jan (EFE).- A capital do Cazaquistão, Astana, acolhe amanhã uma nova rodada de negociações, de dois dias, entre o governo do presidente sírio Bashar al Assad e distintas facções armadas, com o apoio da Rússia, fiadora do bloco governamental e da Turquia, que apoia a oposição.

Os rebeldes buscarão o reforço do cessar-fogo, que começou em 30 de dezembro, a implantação de garantias para continuar com a aplicação e a melhoria da situação humanitária em todo o país, segundo disse à Agência Efe em Astana um membro da delegação opositora que preferiu o anonimato. Essas conversas foram convocadas durante o acordo de cessar-fogo entre os rebeldes e o governo e que exclui o Estado Islâmico (EI) e a Frente da Conquista do Levante (antigo Frente al Nusra e ex-filial síria da Al Qaeda).

Segundo o membro da equipe opositora todos os representantes das facções armadas já estão na capital cazaque. Ao todo, são 45 representantes de distintas facções, que acodem sob a égide do Exército Livre Sírio (ELS).

"Se essas conversas tiverem sucesso para fixar o cessar-fogo, melhorar a situação humanitária através da suspenção do bloqueio, garantir o acesso das ajudas e libertar os presos políticos, teremos então uma boa base comum para começar as negociações de Genebra (8 de fevereiro) e para buscar a transição política", afirmou o membro opositor.

A delegação opositora inclui 13 facções rebeldes, acompanhadas de consultores políticos, legais, militares e de informação. Entre eles estão o atual vice-presidente e o ex-vice-presidente da Coalizão Nacional Síria (CNFROS), principal grupo da oposição, Bashar Abdul Hakim e Hisham Marwa, respectivamente.

A Frente da Conquista do Levante, que em vários momentos combate ao lado dos rebeldes, criticou as negociações. Para ela, quem vai a Astana aceita "direta ou indiretamente" a permanência do presidente Bashar al Assad.

Por sua vez, a delegação governamental, liderada pelo embaixador sírio na Organização das Nações Unidas (ONU), Bashar al Jaafari, deve chegar esta tarde a Astana. Esta equipe é composta por dez membros, entre eles o deputado Ahmad al Kuzbari, o embaixador sírio na Rússia, Riad Haddad, e o conselheiro do Ministério das Relações Exteriores, Ahmad Arnus, um oficial dos serviços de segurança e dois militares, conforme informou na quarta-feira passada o jornal oficial "Al Watan".

Além das duas delegações e representantes de Rússia e Turquia, participarão o enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Síria, Staffan de Mistura, que chegou hoje a Astana, e o vice-ministro iraniano das Relações Exteriores para Assuntos Árabes, Hossein Ansari, a frente da delegação de seu país, que chegou ontem à capital cazaque. A Administração do novo presidente americano, Donald Trump, anunciou ontem que não enviará uma delegação formal e que o embaixador de Washington no Cazaquistão representará os Estados Unidos na conferência.

A previsão é que as negociações de paz aconteçam no Rixos President Astana, hotel no centro comercial da capital cazaque e que sediou em 2015 reuniões de grupos opositores sírios. Esta é a primeira vez que Astana acolhe uma negociação entre a oposição e o governo sírio, que já viveram três rodadas sem chegar a uma solução.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores cazaque, a reunião terá início às 13h (horário local, 5h em Brasília) com uma saudação do presidente cazaque, Nursultan Nazarbayev, e discursos dos participantes. Depois, começarão os diálogos a portas fechadas. O segundo dia de consultas incluirá conversas bilaterais e multilaterais entre as partes.

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