Governo sírio quer grupos "terroristas" fora de eventual acordo

Cairo, 22 jan (EFE).- O governo da Síria quer excluir de um eventual acordo de paz os grupos Estado Islâmico (EI) e Frente de Conquista do Levante, a antiga filial síria da Al Qaeda, considerados "terroristas", afirmou o líder da delegação governamental em Astana, Bashar al Jaafari, neste domingo.

"Isto será um teste de credibilidade e de seriedade dos participantes (nas negociações), tanto para os que se sentarão à mesa de discussão quanto para os que estão por trás deles", disse Jaafari em declarações a jornalistas no avião a caminho da capital cazaque e divulgadas pela agência oficial "Sana".

As prioridades do governo sírio em Astana serão "fixar as linhas do fim das hostilidades", "separar" os grupos "terroristas" dos insurgentes que aceitaram a Astana e definir um "denominador comum na luta contra o terrorismo".

As forças governamentais sírias não interromperam seus ataques contra o EI e a Frente de Conquista do Levante, grupo anteriormente conhecido como Frente al Nusra, apesar da trégua que está em vigor desde 30 de dezembro. Em várias frentes, a Frente de Conquista do Levante luta junto às fileiras de várias milícias insurgentes. Ontem, este grupo criticou às milícias que participarão das negociações de Astana e as acusou de aceitar "direta ou indiretamente" a permanência do presidente Bashar al Assad.

Segundo Jaafari, as negociações em Astana, que acontecerão amanhã e terça, serão um diálogo "sírio-sírio", sem qualquer outra parte. No Cazaquistão há representantes da Rússia e do Irã, que apoiam o Executivo em Damasco; da Turquia, principal apoiadora dos rebeldes, além de Estados Unidos, e do enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Síria, Staffan de Mistura.

O representante sírio disse esperar que o papel dos Estados Unidos "seja mais positivo e envolvido rumo à solução política" que em outras reuniões. Além disso, afirmou que a Turquia viola a soberania síria, ajuda grupos terroristas e prejudica a solução pacífica. Para ele, "não há diálogo sírio-turco em nível governamental".

"Por trás dos grupos terroristas armados estão países operadores, entre eles Turquia, Arábia Saudita, Catar, Estados Unidos, Grã-Bretanha e França", afirmou.

O líder da delegação síria adiantou que ficou acertada que a reunião de Astana será "técnica", com a esperança de que sirva de base para o trabalho político que será desenvolvido mais adiante. EFE

se/cdr

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