Chile é o país mais barato da América Latina para tabaco, álcool e drogas

Javier Ureta Ibáñez.

Santiago do Chile, 21 jan (EFE).- Uma cesta com álcool, tabaco, anfetaminas, maconha, cocaína e opiáceos custa US$ 56 no Chile, o que, em proporção com os US$ 248 que o chileno médio recebe por semana, transforma o país no mais barato da América Latina para adquirir essas drogas, segundo um estudo da Bloomberg.

Segundo a pesquisa, realizada em 103 países, o Chile é o quinto país no mundo em onde é mais acessível comprar um maço de cigarros, uma garrafa de álcool e outras drogas, já que um chileno gastaria 22,8% de seu salário semanal para adquiri-los, atrás apenas de Luxemburgo, Suíça, Bahamas e Bélgica.

Em termos absolutos, a "cesta de compra" destes produtos custa US$ 56, abaixo de outros países da região, como o Uruguai (US$ 89), mas similar a outros, como Peru (US$ 51) e República Dominicana (US$ 52).

Antonio Leiva, diretor do Serviço Nacional para a Prevenção e Reabilitação do Consumo de Drogas e Álcool do Chile (Senda), disse que a prevenção é o mais importante para evitar o consumo, que pode provocar os baixos preços.

"Temos atividades e mais de 500 centros distribuídos em 219 comunas ao longo do país. Nosso trabalho se concentra no mundo escolar e laboral, onde a informação que aparece neste estudo ganha ainda mais relevância. Devemos assinalar que existem alternativas para uma vida feliz e plena longe do álcool e das drogas", ressalta Leiva.

A maior ameaça, segundo o diretor do Senda, é o álcool, porque o Chile é o país mais barato da América Latina para adquirir bebidas alcoólicas e os estudos estimam que quase 50% da população as consome.

"Sem dúvida alguma, o álcool é nosso principal problema quanto ao consumo de drogas. É uma droga lícita que hoje em dia está acima do consumo problemático, tanto em adolescentes como em adultos", reconhece Leiva.

O estudo disseca os hábitos de consumo de drogas da sociedade chilena e mostra que o tabaco é a segunda mais utilizada, por 22,7% da população, apesar do Chile ser o sexto país mais caro da América Latina para comprá-la.

No país, um maço de cigarros custa em torno de US$ 5, o que representa 2,02% da renda semanal de um chileno.

O Chile também é o país mais barato da região para adquirir anfetaminas; um grama desta droga custa cerca de US$ 24, apenas 9,77% das receitas semanais.

Por outra lado, cada grama de maconha ou derivados vale US$ 2,50, e para adquirir a droga o consumidor gasta o equivalente o 1% do salário semanal, um porcentagem só superior à da República Dominicana, Guatemala, Salvador e Uruguai.

Os dados do Senda assinalam que 11,3% da sociedade consome maconha ou substâncias similares, quadro que se apresenta em pleno debate sobre a legalização da droga para fins recreativos.

De fato, o ex-presidente chileno Ricardo Lagos, que será candidato nas eleições presidenciais de novembro, se mostrou a favor da legalização da maconha.

"A maconha é menos viciante que o tabaco e o álcool. Frente às drogas pesadas, tudo. Mas pela maconha diria 'por que não?'", afirmou Lagos.

Por sua vez, um grama de cocaína, droga consumida por 1,4% da população, custa quase US$ 20, ou 7,75% do salário semanal. Na América Latina, a droga só é mais barata na República Dominicana, Colômbia, Uruguai e Costa Rica.

O estudo não conta com dados do consumo de opiáceos (heroína e similares) no Chile.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos