México diz que responderá política econômica de Trump com "ações espelho"

Cidade do México, 23 jan (EFE).- Mudanças econômicas adotadas pelo novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que influenciem a política de importações do país serão rebatidas pelo México com "ações espelho", afirmou nesta segunda-feira o ministro da Economia, Ildefonso Guajardo.

"Se houver alguma ação que puna as importações pelo mercado americano e incentive as exportações, teremos que refleti-la com uma 'ação espelho' para resistir às mudanças que isso provocaria para a atividade e o investimento no México", avaliou Guajardo em entrevista concedida ao jornal "El Universal".

O ministro afirmou que Trump buscará "premiar as exportações e castigar as importações". E alertou que medidas adotadas pelo novo presidente dos EUA que violem as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) serão denunciadas pelo México ao órgão.

"Se (as medidas) não violarem as regras comerciais, automaticamente os países terão que compensar os efeitos que seriam gerados para eles por essa nova situação", explicou.

Trump anunciou neste fim de semana, o primeiro depois que assumiu o poder, que renegociará em breve o Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta) com os líderes de México e Canadá. O acordo foi assinado pelos três países em 1994, mas o presidente republicano considera que o pacto prejudica os interesses dos EUA.

O presidente do México, Enrique Peña Nieto, irá se reunir com Trump no dia 31 de janeiro. Pouco depois, o republicano deve receber o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau.

Apesar dos anúncios de Trump, Peña Nieto e Trudeau afirmaram que continuarão impulsionando a integração econômica da América do Norte, informou a presidência do México em comunicado.

Guajardo admitiu estar preocupado com a ideia de Trump de dificultar os investimentos norte-americanos no exterior. A medida é vista com temor especialmente pelo próprio México, já que um terço do dinheiro investido no país vem do vizinho.

"Apesar de dizer que os investimentos sairão dos outros países para voltar aos EUA, essas mensagens são rentáveis para um presidente que fez seu discurso de campanha com esse tipo de notícia. Elas não são realmente uma política pública", avaliou.

Sobre a futura negociação do Nafta, Guajardo ressaltou que o México fará valer as vantagens que têm ao sentar na mesa de diálogo. Entre elas, o ministro citou a incerteza que uma possível reformulação do acordo gerará nos mercados financeiros e no câmbio.

Por fim, Guajardo alertou os agentes econômicos que o atual Nafta seguirá em vigor até que novas regras sejam adotadas. "Não existirá nenhum vazio de regulação", afirmou o ministro.

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