Obstáculos marcam 1º dia de negociações de Damasco e oposição em Astana

Azza Guergues.

Astana, 23 jan (EFE).- O primeiro dia de diálogo de paz entre o governo da Síria e a oposição armada terminou nesta segunda-feira após várias trocas de acusações entre as duas delegações reunidas em Astana, no Cazaquistão, sob o auspício da Rússia, fiador da equipe governamental, e a Turquia, que avaliza os opositores.

Foi uma negociação "cheia de obstáculos", disse Yehia al Aridi, membro da equipe da oposição, que anunciou às 22h (hora local; 14h de Brasília) o término do primeiro dia do diálogo, que será retomado amanhã.

A reunião começou às 13h40 (5h40 de Brasília), 40 minutos depois do previsto, com uma mensagem do presidente cazaque, Nursultan Nazarbayev, lida pelo ministro das Relações Exteriores, Kairat Abdrakhmanov. Segundo o governante, a crise síria só pode ser solucionada por meio das negociações.

"Tenho certeza de que a reunião de Astana criará as condições necessárias para que todas as partes interessadas encontrem uma solução para a crise síria", disse Nazarbayev na mensagem.

Apesar do otimismo do presidente cazaque, as disputas começaram a surgir logo que as portas se fecharam, já que Mohamad Alloush, chefe da equipe da oposição, defendeu os rebeldes do vale de Barada, situado a noroeste de Damasco.

O governo sírio acusa os rebeldes que ficam no vale do rio Barada, que fornece água a Damasco, de cortar o abastecimento à capital, e por isso começou a ofensiva governamental no vale há 24 dias e a continuou, apesar do cessar das hostilidades que entrou em vigor no último dia 30 de dezembro em toda a Síria.

Após o discurso de Alloush, o chefe da delegação governamental, Bashar al Jaafari, saiu da reunião e disse a jornalistas no hotel da capital cazaque onde acontece o encontro que "a delegação da oposição não respeita as negociações e não age de acordo com os costumes diplomáticos".

Jaafari também disse que não se pode chamar de violação dos acordos de cessar-fogo as operações das forças governamentais contra aqueles "que impedem o acesso de água potável a 7 milhões de pessoas", em referência à situação no vale de Barada.

Poucos minutos depois do pronunciamento de Jaafari, Osama Abu Zeid, porta-voz do Exército Livre Sírio (ELS) e da delegação opositora, e Esam al Rais, porta-voz da frente sul desta milícia, disseram a jornalistas que, sem um acordo de cessar-fogo "completo", não haverá negociações para a busca de uma transição política.

Em entrevista à Agência Efe, Abu Zeid afirmou que "o sucesso dessas conversas, que não são diretas, está nas mãos dos dois países fiadores: Turquia e Rússia".

"Se (Turquia e Rússia) conseguirem aplicar o que prometeram, vamos ter sucesso, e espero que a Rússia possa obrigar (os representantes do presidente sírio, Bashar al Assad) a respeitar o cessar de hostilidades", acrescentou.

Por sua vez, o enviado do secretário-geral da ONU, Staffan de Mistura, afirmou hoje que as negociações entre sírios são o único caminho para a paz na Síria.

Hoje estavam presentes no saguão do hotel que recebe as conversas de paz diplomatas de Reino Unido, França e Holanda para acompanhar o desenrolar das negociações.

Na última sexta-feira, o governo do novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que não enviaria uma delegação formal às conversas de Astana, e que o embaixador do país no Cazaquistão seria seu representante na conferência.

Segundo a ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos, mais de 300 mil pessoas morreram e cerca de 2 milhões ficaram feridas na Síria desde o começo do conflito, em março de 2011, até o final do ano passado.

Esta é a primeira vez que Astana recebe uma rodada de negociações entre a oposição e o governo sírio, embora já tenham sido realizadas três rodadas de conversas de paz entre as partes em Genebra, de 2012 a 2016, sem que tenha sido definida uma solução para a crise.

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