Jornalista turco exilado lança jornal digital de oposição a Erdogan

Ancara, 24 jan (EFE).- O jornalista turco Can Dündar, que é requerido pela Justiça de seu país, lançou nesta terça-feira em seu exílio na Alemanha um jornal digital com o qual pretende defender a democracia laica e o respeito aos direitos humanos em um momento no qual, segundo ele, a imprensa na Turquia está em "estado de sítio".

O novo meio, publicado em turco e em alemão, se chama Özgürüz (Somos Livres, em turco).

Segundo Dündar, este meio é resultado do apoio de vários jornalistas "que tiveram suas canetas confiscadas" e de acadêmicos que foram despedidos de universidades turcas, sob o amparo do estado de emergência e do regime opressivo do presidente Recep Tayyip Erdogan, acrescentou.

O objetivo da publicação é "revelar a verdade e defender o direito à informação", segundo o novo meio (www.ozguruz.org).

Dündar lembrou que muitos jornalistas na Turquia não podem cumprir com essa tarefa porque estão na prisão.

Assim, o jornalista garantiu que, desde a declaração do estado de emergência em julho do ano passado, pouco depois da tentativa fracassada de golpe de Estado, 160 meios de comunicação foram fechados no total e cerca de 2 mil jornalistas perderam seus empregos.

Além disso, Dündar lembrou que o governo turco assegura que os 150 jornalistas que estão presos são suspeitos de terrorismo.

O jornalista ressaltou que as vozes do exterior são necessárias, já que Erdogan censura os principais veículos de imprensa turcos com ações como a imposição de multas, classificando meios opositores como terroristas, e permitindo que pessoas ligadas ao governo comprem os veículos de comunicação.

A data de lançamento do jornal digital, 24 de janeiro, foi escolhida especialmente em lembrança do assassinato há 24 anos do conhecido jornalista investigativo turco Ugur Mumco.

Dündar foi condenado em maio de 2016 a cinco anos de prisão por "revelar segredos de Estado" por causa de uma reportagem sobre o envio de armas à Síria por parte do governo turco, que foi publicada pelo "Cumhurriyet", o jornal que ele dirigia na época.

O jornalista recorreu da sentença, foi colocado em liberdade e deixou a Turquia, onde agora a promotoria pede até 10 anos de prisão para ele por colaboração, mas não filiação, com um grupo terrorista, em referência à confraria islamita Gülen, que Ancara acusa de orquestrar a tentativa de golpe de Estado do ano passado.

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