Protesto contra Trump foi o maior da história dos EUA, dizem pesquisadores

Jairo Mejía.

Washington, 24 jan (EFE).- A "Marcha das Mulheres" realizada contra o presidente Donald Trump em várias cidades americanas no sábado passado foi a maior manifestação em um só dia da história dos Estados Unidos, segundo pesquisadores que calculam os protestos em todo o país.

Erica Chenoweth, pesquisadora da Universidade de Denver, e Jeremy Pressman, professor da Universidade de Connecticut, começaram nesta semana a elaborar uma minuciosa lista com números dos protestos pacíficos organizados no dia 21 de janeiro em todo o país contra a presidência de Trump.

Segundo os cálculos, que continuam a crescer com cada nova informação proveniente de todo o país, entre 3,2 milhões e 4,7 milhões de pessoas saíram às ruas em todo o país, uma forma de protesto jamais vista na história americana em um só dia.

"Não tenho nenhuma dúvida de que este foi o maior evento de um só dia em toda a história dos Estados Unidos", disse Chenoweth, professora da escola Josef Korbel de Estudos Internacionais.

Chenoweth e Pressman registram números de participação em uma base de dados que inclui mais de 500 cidades e localidades americanas onde se repetiu o protesto contra Trump um dia após a posse.

"Recolhemos dados da Polícia, de organizadores e estimativas da imprensa sempre que possível. Em casos como Los Angeles, a estimativa alta é dos organizadores, enquanto a baixa é da Polícia", analisou Pressman, professor de Ciências Políticas.

As maiores multidões se concentraram em Washington (com estimativas de 470 mil a um milhão de pessoas), Nova York (entre 400 mil e 500 mil) e Los Angeles (200 mil a 750 mil).

"Ainda não completamos a contagem e temos milhares de dados para finalizar. É preciso levar em conta que os números são conservadores e muito mais baixos que os números reais", afirmou Chenoweth.

Na história dos EUA há dois protestos que podem fazer sombra à resposta popular contra a posse do republicano Donald Trump: a oposição à Guerra do Iraque, em fevereiro de 2003, e contra a Guerra do Vietnã, em outubro de 1967.

Nos protestos da Guerra do Iraque, Dominique Reynié, professor da universidade parisiense Sciences Po, calculou que 900 mil americanos se manifestaram nos Estados Unidos, pouco menos que as concentrações recorde de cidades como Roma (dois milhões) e Madri (mais de um milhão) naquele dia.

É bastante provável que nem a rejeição à Guerra do Iraque e à do Vietnã concentrassem nos EUA os milhões de pessoas que, desde Key West (Flórida) até o Alasca, onde os manifestantes desafiaram temperaturas de até dez graus abaixo de zero, mostraram descontentamento em relação às propostas de Trump.

Gritos contra a misoginia e a favor do aborto se misturaram no histórico 21 de janeiro de 2017 com cantos a favor do respeito ao meio ambiente, contra a expulsão de imigrantes ilegais e em tolerância dos muçulmanos e refugiados de guerra.

Segundo Dan Grown, especialista em multidões e encarregado de logística na posse de Barack Obama em 2012, cerca de 250 mil pessoas foram à posse de Trump, o que está em linha com as estimativas de outros analistas.

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