Trump diz acreditar que tortura em interrogatórios "funciona"

Washington, 25 jan (EFE).- O novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista exibida nesta quarta-feira que acredita que as técnicas de interrogatório utilizadas no passado na luta contra o terrorismo e consideradas tortura "funcionam".

"Acredito absolutamente que funcionam", disse o magnata em entrevista exclusiva à "ABC News", na qual contou que seus chefes de inteligência consideram que técnicas como o "afogamento simulado" podem dar resultados na luta contra o terrorismo extremista.

Trump comentou que está disposto a combater "fogo com fogo" para enfrentar os jihadistas do Estado Islâmico (EI) e não descartou que volte a utilizar técnicas de interrogatório que terminaram com a chegada do ex-presidente Barack Obama à Casa Branca em 2009.

"Falei com pessoas da cúpula de inteligência e perguntei se a tortura funciona. A resposta foi sim. Quero manter o país seguro. Quando estão cortando cabeças dos nossos e de outros por serem cristãos no Oriente Médio e o Estado Islâmico faz coisas próprias da Idade Média, eu vou me preocupar com o afogamento simulado? Combateremos fogo com fogo", declarou.

O republicano disse que escutará seu gabinete, especialmente o secretário de Defesa, James Mattis, e o diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), Mike Pompeo, quando chegar a hora de determinar se serão retomadas as práticas para interrogar suspeitos de terrorismo consideradas torturas pelo Congresso e pelo governo anterior.

"Vou confiar em Pompeo, Mattis e meu grupo. Se eles não quiserem fazer, tudo bem. Se quiserem, trabalharei com esse objetivo dentro dos limites do que se pode fazer legalmente", detalhou o novo líder.

Durante a campanha eleitoral, Trump foi muito mais direto ao assegurar que apoiava o "afogamento simulado" e "coisas muito piores".

O "afogamento simulado", a privação de sono, o uso de cachorros agressivos, os gritos, os golpes e a humilhação foram algumas das técnicas de "interrogatórios forçados" instauradas pelo governo do presidente George W. Bush após os atentados terroristas do dia 11 de setembro de 2001 contra os EUA.

Obama assinou ordens executivas ao chegar à Casa Branca em 2009 para pôr fim a essas práticas, enquanto o Senado legislou contra esses métodos em 2015.

Durante a sabatina de confirmação como diretor da CIA, Pompeo garantiu que não apoia a volta dos "interrogatórios forçados", mas depois se mostrou aberto a modificar o manual que regula os interrogatórios.

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