Trump se prepara para aprovar muro com o México e vetar entrada de refugiados

Washington, 25 jan (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aprovará nos próximos dias várias medidas de segurança, começando nesta quarta-feira com o anúncio da construção do muro na fronteira com o México, a restrição da entrada de refugiados, a manutenção da prisão em Guantánamo e a designação do grupo Irmandade Muçulmana como organização terrorista.

Essas são algumas das ações que Trump começará a tomar hoje e que terão sequência nos próximos dias, de acordo com a imprensa local, em matérias que citam diferentes fontes anônimas do governo. O próprio presidente anunciou ontem à noite no Twitter que tomaria várias medidas relativas à segurança nacional.

Segundo o jornal "The New York Times", Trump publicará uma ordem executiva que destinará fundos federais para a construção do muro, apesar de não estar claro de onde virá esse dinheiro.

No entanto, para construir o muro, o republicano precisa que o Congresso aprove verbas para os EUA antecipar o financiamento para que depois o México pague a conta da construção do muro, uma ideia que é frontalmente rejeitada pelo presidente Enrique Peña Nieto.

O Escritório de Prestação de Contas do governo dos EUA estimou que o custo de construir um muro seria de US$ 3,75 milhões por quilômetro. Além disso, seria preciso somar outros US$ 2,6 milhões por quilômetro para a construção de estradas e cercas adicionais.

A fronteira entre os dois países tem mais de 3.200 quilômetros. Apenas 1.000 deles estão murados, com destaque para o trecho que separa Tijuana, no México, de San Diego, na Califórnia.

A construção do muro é a primeira de uma série de medidas que incluem a redução do número de refugiados que podem entrar nos EUA e o bloqueio temporário dos pedidos de asilo de pessoas que venham de países "propensos ao terrorismo". No grupo, Trump inclui a Síria e boa parte das nações do Oriente Médio.

A medida, segundo a imprensa norte-americana, afetaria os vistos de cidadãos da Líbia, Somália, Irã, Iraque e Sudão.

Além disso, segundo o jornal "The Washington Post", Trump negará fundos federais às cidades que se neguem a proporcionar às autoridades federais informações sobre o status migratório das pessoas detidas, uma ação que tem como objetivo proteger da deportação os imigrantes ilegais.

Durante a campanha, Trump disse que não fará repasses essas cidades, conhecida como santuários. São mais de 300 munícipios que se negam a compartilhar informações sobre os imigrantes com o governo federal, incluindo Chicago, Nova York e Los Angeles.

De acordo com o "The Washington Post", devido a diferenças internas dentro do gabinete de Trump, não está claro se o presidente assinará ordens executivas relativas ao Programa de Ação Diferida (Daca), que permitiu frear a deportação de 750 mil jovens imigrantes ilegais, conhecidos como "dreamers" (sonhadores).

Na campanha eleitoral, Trump prometeu que eliminaria a Daca, apesar de, depois do triunfo, ter adotado um tom mais ambíguo e disse que a decisão tomada fará com as pessoas fiquem "orgulhosas".

Entre as ordens executivas que Trump assinará nos próximos dias está a inclusão do grupo Irmandade Muçulmana na lista de grupos terroristas dos EUA, uma ideia que foi apoiada em diferentes ocasiões pelo governo do Egito e dos Emirados Árabes Unidos.

Segundo a imprensa americana, Trump também assinará uma ordem para avaliar se a CIA deve reabrir os "black sites", locais secretos da agência no exterior, fechados pelo ex-presidente Barack Obama em 2009 e que serviam para interrogar e prender suspeitos.

Em outro decreto, Trump se dispõe a ordenar uma revisão do Manual de Campo para o Exército para determinar se algumas técnicas devem ser usadas em interrogatórios de suspeitos.

Trump chegará às 13h25 locais (16h25) ao Departamento de Segurança Nacional, onde irá assinar as ordens executivas na presença de funcionários do órgão e de familiares de pessoas assinadas por imigrantes ilegais.

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