Peña Nieto cancela viagem aos EUA e reunião com Trump

Cidade do México, 26 jan (EFE).- O presidente do México, Enrique Peña Nieto, anunciou nesta quinta-feira que cancelou a viagem que faria no próximo dia 31 aos Estados Unidos e uma reunião na Casa Branca com o presidente do país vizinho, Donald Trump.

"Nesta manhã informamos à Casa Branca que não participarei da reunião de trabalho programada para a próxima terça-feira com o @POTUS", afirmou Peña Nieto no Twitter.

No entanto, o presidente mexicano reiterou a vontade de seu país "de trabalhar com os Estados Unidos para conseguir acordos em favor das duas nações".

O anúncio de Peña Nieto foi feito poucas horas depois de Trump ameaçar cancelar a reunião com ele se o México não aceitasse pagar pelo "tão necessário" muro que quer construir na fronteira.

"Se o México não está disposto a pagar o tão necessário muro, então seria melhor cancelar a iminente reunião", afirmou Trump no Twitter.

O cancelamento do encontro era quase inevitável, não só depois desse comentário, mas após a avalanche de críticas recebidas por Peña Nieto em seu país desde a quarta-feira por não suspendê-lo, apesar da assinatura de um decreto para a construção de um muro na fronteira comum por parte do presidente dos EUA.

Alguns líderes políticos opositores mexicanos classificaram hoje inclusive como "humilhação" o fato de que Trump ameaçou cancelar a reunião e insistiram com o governante mexicano para que não fosse à Casa Branca.

"O que faltava: se antecipa Trump a cancelar reunião com EPN (Enrique Peña Nieto)", disse no Twitter o presidente do Partido Ação Nacional (PAN), Ricardo Anaya, para quem "o valente chega até onde o covarde lhe permite".

Também filiada a este partido conservador e pré-candidata à presidência em 2018, Margarida Zavala, mulher do ex-presidente Felipe Calderón (2006-2012), também foi dura em seus comentários.

"O vazio deixado ontem por @EPN foi preenchido hoje por @realDonaldTrump com mais uma humilhação. É preciso firmeza e colocar #MexicoPrimero", escreveu.

"O líder do Movimento Regeneração Nacional (Morena), Andrés Manuel López Obrador, escreveu nessa rede social uma mensagem destinada ao presidente na qual o encorajou a não ir ao encontro e reiterou sua proposta de que seja apresentado um requerimento à ONU contra o governo dos EUA por violação dos direitos humanos.

O presidente do Partido Revolucionário Institucional (PRI), Enrique Ochoa, não se pronunciou de maneira direta sobre a visita, mas disse que "é inadmissível a ideia de construir um muro entre os dois países" e que é "prioritária a edificação de pontes de comunicação e integração".

Em meio a tantas críticas, o ex-presidente Vicente Fox (2000-2006), do PAN, divulgou dois vídeos nas redes sociais, um em espanhol e outro em inglês, nos quais alfineta Trump.

"Ganhamos a partida, nós mexicanos ganhamos, você teve que se jogar para trás", afirmou.

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