Sonhos de moradores de cidade mexicana correm perigo por causa de Trump

Isabel Reviejo.

Cidade do México, 26 jan (EFE).- Para os moradores de Huimilpan emigrar para os Estados Unidos é uma forma de escapar do desemprego e encontrar as oportunidades que seu município lhes negou; no entanto, as advertências de Donald Trump ameaçam acabar com este sonho e geram a dúvida do que acontecerá se acontecer um retorno em massa de pessoas.

Calcula-se que em todo este município mexicano, situado no estado de Querétaro, aproximadamente entre 8.000 e 10.000 pessoas, de seus 40.000 habitantes, cruzaram a fronteira.

A maioria deles, em primeira instância, são homens que quando conseguem os papéis para ficar nos EUA entram com a permissão para outros familiares.

José Antonio é um destes migrantes. Trabalha em Houston, no Texas - um destino recorrente para os habitantes de Huimilpan - há cinco anos no setor da construção.

Com o dinheiro que conseguiu no país vizinho, este jovem pôde comprar um veículo e um terreno.

"Vou começar a construir minha casa, isso eu não teria conseguido aqui", afirmou à Agência Efe José Antonio, que usa a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe em cima de sua camiseta, na qual está desenhado o mapa dos EUA com as cores da bandeira nacional.

Ele defende que no Texas há melhores oportunidades e condições econômicas, e que os mexicanos que vivem lá são "honrados e humildes, não como (Trump) pensa", em referência às afirmações do republicano, que chegou a chamar os migrantes de "criminosos" e "estupradores".

Os planos de Trump, que na sexta-feira passada se tornou o 45º presidente dos Estados Unidos, de fazer deportações maciças preocupam os moradores de Huimilpan, embora não interrompam os planos de muitos que não conseguem ver um futuro em sua cidade.

"Aqui, tendo estudo ou não o salário não é muito, se quer um futuro ou uma família é muito pouco para seguir em frente", argumentou Erick Durán, que deseja ir para os EUA, onde já está parte de sua família.

A migração afeta mais o sul do município, área mais prejudicada pelo desemprego ou pelas más condições trabalhistas que o norte, perto da capital do estado, Querétaro.

Fascinados por seus irmãos mais velhos, que retornam para visitar Huimilpan com dinheiro e roupas de marca, muitos jovens estudam pensando que logo depois de acabá-los deixarão o país.

No entanto, nem todos preferem ir para os EUA e querem permanecer em seu município, embora em condições mais humildes.

É o caso de Jaime Martínez, que vem de uma família de 14 irmãos, dos quais nove encontraram seu sustento fora do México, na pesca e em diferentes restaurantes.

"Pelas vezes que fui visitá-los, as condições nas quais vivem ou têm que trabalhar, para mim são muito pesadas: levantar às cinco da manhã, chegar às sete ou oito da noite", opinou Jaime, que trabalha como funcionário público de Huimilpan.

Na cidade, o principal empecilho para o desenvolvimento é o emprego e, por isso, "se retornassem cerca de 3.000 seria um problema muito grave", avaliou, com um cálculo aproximado do número de pessoas de Huimilpan que estão nos EUA em situação irregular.

No entanto, as medidas que o presidente aplicará, além da construção do muro na fronteira entre Estados Unidos e México confirmada nesta quarta-feira, ainda são uma incógnita.

Alguns moradores de Huimilpan pensam que talvez o discurso do republicano durante sua campanha não chegue a se materializar; outros temem que o caminho dos migrantes rumo ao norte se torne mais perigoso, e todos expressam sua rejeição ao muro.

"Meus irmãos querem ir embora, mas talvez (...) não saiam, têm medo de talvez serem alvejados por tiros, ou do muro que vão construir", comentou María Luz Morales.

Apesar do medo, ela assegurou que seus irmãos gostariam de escapar dos salários "miseráveis" do município, e emigrar "para fazer um dinheiro e sobreviver".

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