Egito e Hamas conversam sobre reconciliação entre palestinos

Cairo, 27 jan (EFE).- Uma delegação do movimento islamita palestino Hamas, que governa a Faixa de Gaza, concluiu nesta sexta-feira uma visita ao Egito para abordar com responsáveis deste país as perspectivas de reconciliação com a corrente nacionalista Fatah, liderada pelo presidente palestino, Mahmoud Abbas.

Os palestinos realizaram uma série de reuniões com o chefe da Inteligência do Egito, Khaled Fawzi, interlocutora habitual do governo egípcio com o Hamas, informou o grupo islamita em comunicado recolhido pela agência oficial de notícias "Mena".

Além da possível reconciliação com o Fatah, na reunião se abordou a situação em Gaza pelo bloqueio israelense, a segurança nas fronteiras, a abertura da passagem fronteiriça de Rafah e a crise da eletricidade na Faixa.

No comunicado, o Hamas elogiou as propostas egípcias, que não detalhou, e afirmou que estas terão reflexos "positivos" para os dois povos e "no desenvolvimento da causa palestina em geral".

Além disso, o movimento islamita expressou seu compromisso de preservar a segurança nacional egípcia e de não intervir nos assuntos internos do país vizinho.

Ambas partes decidiram continuar os encontros e dialogar no que se refere à causa palestina e, especialmente, sobre "os perigos iminentes que rodeiam a cidade de Jerusalém" e sobre os assentamentos israelenses.

As autoridades egípcias anunciaram ontem que abrirão a passagem de Rafah durante três dias a partir deste sábado, pela primeira vez em um mês.

A última reunião realizada entre altos cargos do Hamas e delegados egípcios aconteceu em abril do ano passado, quando ambas partes decidiram que o movimento que controla o enclave litorâneo garantiria a segurança na fronteira, como condição para relaxar o fechamento do cruzamento de Rafah.

A passagem de Rafah é a única saída ao mundo de Gaza devido ao bloqueio israelense imposto em 2007, quando o Hamas expulsou da Faixa as forças da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

O Egito mantém a fronteira fechada desde o golpe de Estado que derrubou em 2013 o então presidente egípcio, o islamita Mohammed Mursi, e só a abre de forma esporádica para permitir a passagem de doentes, estudantes, comerciantes e palestinos que retornam para ver familiares.

Os laços entre Hamas e Egito se enfraqueceram desde o início do governo do presidente egípcio, Abdul Fatah al Sisi, e após uma série de atentados jihadistas no Sinai pela qual o Cairo acusou o movimento islamita.

O Egito também declarou como terrorista a Irmandade Muçulmana, movimento do qual emanou o Hamas, e um juiz egípcio também declarou terrorista o grupo palestino em 2015, embora essa decisão tenha sido revogada por uma corte superior.

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