Trump deixará secretário de Defesa decidir sobre uso de tortura

Washington, 27 jan (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que, apesar de defender o uso da tortura nos interrogatórios dos suspeitos de terrorismo, deixará que o secretário de Defesa, o general James Mattis, que se opõe à prática, tome a decisão de retomá-la ou não.

"Ele disse publicamente que não acredita na tortura e no afogamento simulado. Não estou necessariamente de acordo, mas sua opinião terá prioridade sobre a minha porque darei esse poder a ele. Ele é um especialista, um general, e vou me apoiar nele. Vamos ganhar (dos terroristas) com ou sem tortura", disse Trump em entrevista coletiva conjunta com a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, que visitou a Casa Branca hoje.

Trump tinha dito em uma entrevista à emissora "ABC" que acredita "categoricamente" que as torturas utilizadas no governo do ex-presidente George W. Bush "funcionam" contra o terrorismo.

Na mesma entrevista, Trump afirmou que "pessoas no mais alto nível da cúpula de inteligência" garantiram que a tortura dá resultados. Além disso, o novo presidente dos EUA defendeu a estratégia de combater "fogo com fogo" para lidar com os jihadistas do grupo terrorista Estado Islâmico (EI).

Tanto Mattis, novo secretário de Defesa, como Mike Pompeo, novo diretor da CIA, expressaram em suas audiências de confirmação para seus cargos a rejeição ao uso da tortura.

O afogamento simulado, a privação de sono, o uso de cachorros agressivos, os gritos, os golpes e a humilhação foram algumas das técnicas de "interrogatório forçado" aplicadas depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2011 pelo governo de Bush.

O ex-presidente Barack Obama assinou ordens executivas para pôr fim a essas práticas logo quando chegou a Casa Branca, em 2009. O Senado criou leis contra esses métodos em 2015.

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