Trump pretende revisar listas de votação para identificar fraude eleitoral

Washington, 27 jan (EFE).- O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pretende fazer uma revisão exaustiva dos registros eleitorais do país para determinar se houve uma fraude no pleito de novembro, revelou uma gravação do vice-presidente, Mike Pence, vazada nesta sexta-feira à imprensa local.

"O que eu acredito que vai ocorrer é o governo iniciar uma avaliação completa dos registros eleitorais do país, a integridade em geral do nosso sistema eleitoral à luz dessas últimas eleições", disse Pence em uma reunião privada com congressistas e senadores republicanos em um evento realizado ontem na Filadélfia.

As declarações de Pence foram gravadas e obtidas pelos jornais "The Washington Post" e "The Guardian", que divulgaram a gravação.

Trump prometeu nesta semana abrir uma investigação sobre uma suposta fraude ocorrida nas eleições de novembro. Segundo o presidente, a democrata Hillary Clinton teria recebido até 5 milhões de votos ilegais, o que a fez vencer no voto popular.

O presidente não ofereceu provas dessa alegação, considerada como improvável por vários especialistas. O republicano Paul Ryan, presidente da Câmara dos Representantes, também discorda de Trump.

"Muitos americanos compartilham a preocupação que vocês têm, que eu tenho, que o presidente certamente tem, sobre pessoas registradas em múltiplos estados", afirmou Pence na gravação, segundo o "Post".

"O princípio de uma pessoa, um voto, está no coração desse país e de nossas instituições democráticas. Isso deve ser defendido", completou o vice-presidente.

Várias organizações civis expressaram inquietação que a investigação prometida por Trump seja um primeiro passo ou uma desculpa para que os estados republicanos imponham mais barreiras ao direito ao voto, algo que costuma prejudicar especialmente as minorias negra e latina.

"Isso é parte de uma campanha que os republicanos mantêm há décadas para usar os argumentos de uma suposta fraude eleitoral para aprovar leis de identificação de eleitores", disse hoje à Agência Efe o historiador e professor de Política da Universidade de Princeton, Julian Zelizer.

"Essas leis foram muito prejudiciais em certos estados e resultaram na supressão do voto", acrescentou.

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