Imigrantes e traficantes já cruzaram muro que será construído por Trump

María León.

Tucson (EUA), 28 jan (EFE).- O grande e polêmico muro que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pretende construir ao longo da fronteira com o México pode ser atravessado com uma simples e barata escada de madeira.

Seja um muro de cimento, uma cerca de aço ou uma simples barreira, essa proteção, tantas vezes mencionada nos comícios eleitorais do magnata republicano, voltou ser repercutida após a ordem assinada por Trump para dar início à construção em questão de "meses".

Ao longo da fronteira entre EUA e México, que cobre os estados da Califórnia, Arizona, Novo México e regiões do Texas, existem atualmente 569 quilômetros de muro, assim como outros 481 quilômetros de barreiras para dificultar a passagem de veículos e pessoas. Apesar disso, essa proteção não impediu o cruzamento de imigrantes ilegais nem do tráfico de drogas.

Em todo o ano fiscal de 2016 (11 de outubro de 2015 a 30 de setembro de 2016), a Patrulha Fronteiriça deteve 415.816 imigrantes ilegais ao longo da fronteira com o México, número superior aos 337.117 detidos no período anterior.

Além disso, no último ano fiscal foram confiscados 586.972 quilos de maconha e 2.482 quilos de cocaína, provenientes principalmente do México, o vizinho do sul que Trump quer que assuma 100% dos custos do muro.

"Nossa relação com o México vai melhorar", afirmou o presidente americano na quinta-feira em ato no Departamento de Segurança Nacional (DHS), no qual divulgou medidas em matéria de imigração que incluem criar mais centros de detenção e negar recursos federais às cidades que tentarem proteger imigrantes ilegais.

A ideia de construir um muro na fronteira com o México, sob o argumento de constituir um tema de "segurança nacional", não é algo novo. Em 1994, o governo de Bill Clinton aprovou a construção de pequenas barreiras.

Em 2006, a ideia voltou a ganhar força com o então presidente George W. Bush, que deu sinal verde à construção de um grande muro em algumas partes da fronteira.

No entanto, não são poucos os que tentaram provar a ineficácia de uma parede na fronteira, já que os imigrantes ilegais, motivados muitas vezes por instinto de sobrevivência, escalam o muro com escadas improvisadas, enquanto os traficantes passam grandes quantidades de drogas através de túneis subterrâneos.

O congressista democrata pelo Texas Joaquín Castro afirmou em entrevista coletiva na quinta-feira que a proposta do muro é mais um "símbolo" do que uma ferramenta efetiva para aumentar a segurança na fronteira.

Quando são estudados os métodos utilizados pelos narcotraficantes para continuar em atividade, as dúvidas sobre os verdadeiros benefícios de um muro ficam ainda maiores.

Os traficantes usam catapultas colocadas do lado mexicano para lançar pelos ares pacotes de drogas recolhidos no lado americano. Os criminosos também posicionam rampas improvisadas por onde os carros sobem e cruzam o muro, utilizam aviões de pequeno porte e até fazem buracos por baixo das barreiras existentes para atravessar drogas e pessoas.

O xerife Omar Lúcio, do condado de Cameron, localizado no Texas e que faz fronteira com o estado mexicano de Tamaulipas, acredita que um muro na fronteira não impedirá as atividades dos cartéis mexicanos.

"Se o muro tiver seis metros de altura, há uma escada de sete metros, o contrabandista vai buscar uma ou outra forma de passar", disse à Agência Efe o xerife.

No caso específico deste condado, que dá para o Golfo do México, o xerife afirma que uma parede de concreto terá pouco efeito para deter o tráfico ilegal por mar.

"Aparecem lanchas carregadas de droga, pacotes de droga que são arrastados do mar para a costa", explicou.

Mesmo assim, acima de todas essas opiniões, Donald Trump parece estar confiante que um muro aumentará a segurança e que os Estados Unidos recuperarão "o controle de suas fronteiras".

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