Merkel critica veto de Trump a entrada de cidadãos de países muçulmanos

Berlim, 29 jan (EFE).- A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, se pronunciou neste domingo contra o veto temporário imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à entrada no país de cidadãos de vários países de maioria muçulmana.

Merkel "está convencida de que a guerra decidida contra o terrorismo não justifica que se coloque pessoas sob suspeita generalizada em função de uma determinada procedência ou religião", declarou o porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert.

O Executivo de Berlim "estudará agora que consequências essas medidas têm para cidadãos alemães com dupla nacionalidade", acrescentou o porta-voz, segundo quem a própria Merkel expressou essa posição perante Trump na conversa realizada ontem entre os dois líderes.

O veto a cidadãos de vários países de maioria muçulmana afetará, segundo a revista "Der Spiegel", o vice-presidente do grupo de deputados atlantistas do Bundestag (parlamento federal), de origem iraniana, Omig Nouripour.

Deputado e membro do Partido Verde, Nouripour está entre as dezenas de milhares de alemães com dupla nacionalidade que, de acordo com esse decreto, não poderiam viajar temporariamente aos Estados Unidos.

A declaração oficial de hoje segue o comunicado conjunto emitido ontem, ao término desse contato telefônico, o primeiro entre os dois líderes desde a chegada ao poder de Trump e no qual se destacava a concordância na "importância fundamental" que ambos dão à Otan.

No texto se mencionavam diversas questões que Trump e Merkel trataram, desde a situação no Oriente Médio, no norte da África, as relações com a Rússia e o conflito ucraniano, assim como sua determinação a cooperar mais estreitamente na luta contra o terrorismo internacional.

Além disso, se destacava o convite de Merkel a Trump para participar da Cúpula do G20, que será realizada no próximo mês de julho em Hamburgo, e o feito pelo presidente americano à chanceler para visitar Washington, sem estabelecer uma data.

O comunicado pactuado não continha, no entanto, alusão alguma ao decreto ditado esse mesmo dia por Trump relativo aos cidadãos de vários países de maioria muçulmana nem à política migratória.

Poucos dias antes de assumir o cargo de presidente, Trump tinha tachado de "erro catastrófico" a política para refugiados da chanceler, em entrevista ao jornal alemão "Bild", na qual também qualificou a Otan como organização "obsoleta".

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