Casa Branca defende entrada de cargo político em conselho segurança de Trump

Washington, 30 jan (EFE).- A Casa Branca defendeu nesta segunda-feira a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de dar a seu estrategista político, Steve Bannon, um posto permanente nas reuniões do Conselho de Segurança Nacional, encarregado de tratar crises no exterior, uma medida incomum que gerou críticas.

O porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, quis corrigir durante sua entrevista coletiva o que tachou de "informações incorretas" em vários veículos de comunicação sobre a ação executiva que Trump assinou neste sábado para reorganizar o Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca (NSC, em inglês).

Essa medida gerou controvérsia pela decisão de Trump de convidar Bannon para todas as reuniões desse conselho, um profissional que nunca teve um trabalho relacionado com a política externa americana além dos sete anos que passou na Marinha.

Embora vários presidentes dos EUA tenham permitido que seus estrategistas políticos participassem de algumas reuniões do NSC, esta é a primeira vez que um deles se torna convidado permanente do Conselho, segundo especialistas nesse órgão dedicado a supervisionar a política externa e assessorar o presidente a respeito.

Bannon terá assim um papel privilegiado em um fórum integrado normalmente pelo presidente, o vice-presidente e os secretários de Estado, do Tesouro, da Defesa, da Justiça e de Segurança Nacional, entre outros.

Bannon, ex-diretor do site de extrema-direita "Breitbart News", ganhou relevância na Casa Branca de Trump e, segundo o jornal "The Washington Post", teve um papel importante na hora de moldar o controvertido decreto pelo qual os Estados Unidos vetaram a entrada de cidadãos de sete países com população de maioria muçulmana.

Em sua ação executiva sobre o Conselho de Segurança Nacional, Trump estabeleceu que Bannon estará "convidado a participar de qualquer reunião do NSC", além de ser membro regular do Comitê Principal de dito conselho, que reúne-se sem o presidente para conversar sobre temas concretos.

Ao mesmo tempo, Trump decidiu que o diretor nacional de Inteligência - posto para o qual nomeou o senador Dan Coats - e o chefe do Estado-Maior Conjunto - cargo ocupado pelo general Joseph Dunford - não terão necessariamente um assento em todas as reuniões, mas "participarão quando se debatam temas relacionados com suas responsabilidades e sua experiência".

Spicer justificou hoje essa decisão ao assegurar que "certos temas de segurança nacional não têm necessariamente que ser assuntos militares e pode ser que o chefe do Estado-Maior Conjunto não se interesse em gastar seu valioso tempo" nisso, mas ressaltou que se desejar "será bem-vindo" nessas reuniões, assim como Coats.

"A ideia que o chefe do Estado-Maior Conjunto e o diretor nacional de Inteligência foram rebaixados de categoria ou eliminados (do NSC) é uma soberana bobagem", ressaltou Spicer.

O porta-voz defendeu ainda que "a linguagem" do memorando presidencial de Trump "é idêntica à que o ex-presidente (George W.) Bush emitiu em 2001", com a exceção que o cargo de diretor nacional de Inteligência não tinha sido criado até 2005.

Spicer anunciou, além disso, que Trump decidiu acrescentar o diretor da CIA (Agência Central de Inteligência), Mike Pompeo, como membro do NSC, órgão do qual essa agência não fez parte "desde que o diretor nacional de Inteligência entrou nelas em 2005".

O porta-voz evitou referir-se durante seu discurso à controvérsia sobre Bannon e, quando os jornalistas lhe perguntaram a respeito, afirmou que David Axelrod, que foi assessor político do ex-presidente Barack Obama entre 2009 e 2011, "entrava e saía muito frequentemente das reuniões do NSC".

"O que isto demonstra é que este governo está sendo transparente, que estamos tornando público quem vai entrar e sair destas reuniões", destacou o porta-voz.

Axelrod respondeu hoje à alusão de Spicer ao assegurar, em artigo publicado no site da emissora "CNN", que nunca "falou nem participou" nas reuniões do NSC de Obama, mas apenas se sentou "em silêncio" em alguns dos encontros "menos confidenciais" porque depois tinha que "explicar" essas decisões em público.

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