Imigrantes vivem entre o sonho americano e o fracasso na fronteira dos EUA

Alex Segura Lozano

Em McAllen (EUA)

  • Alex Segura/ Efe

    Bandeiras dos EUA, Canadá, México e do Estado do México diante do prédio da prefeitura de McAllen, no Texas, EUA

    Bandeiras dos EUA, Canadá, México e do Estado do México diante do prédio da prefeitura de McAllen, no Texas, EUA

Medo e esperança se misturam no centro de amparo de imigrantes ilegais recém-chegados à cidade de McAllen, no Texas, na fronteira entre os Estados Unidos e o México.

"Ser deportado representaria um fracasso pessoal e uma ruína para minha família, que apostou tudo para que meus filhos tenham um futuro melhor longe de nosso país e possam viver o sonho americano a base de esforço e sacrifício", afirmou à Agência Efe o salvadorenho Rogelio Ayala, de 46 anos, visivelmente emocionado.

O sentimento de angústia que impregna o ambiente do centro de amparo se deve à agressiva política contra a imigração ilegal decretada nesta semana pelo novo presidente dos EUA, Donald Trump, que inclui medidas como a ampliação das prisões e das deportações, assim como a construção de um muro na fronteira com o México.

Ayala, natural de Izalco, é uma das 40 pessoas sem documentos que esperam na paróquia do Sagrado Coração de McAllen para pegar ônibus até seu destino final no interior do país.

Os voluntários da Cáritas que colaboram nessa iniciativa, que dá roupas, alimentos e itens de higiene para os imigrantes, afirmam que a maioria das pessoas que chegam ao centro são de Panamá, Nicarágua, El Salvador, Honduras e Guatemala.

Nesses países foi criado um corredor migratório para as pessoas que vão para os EUA como imigrantes ilegais, um movimento que é alimentado especialmente por salvadorenhos, hondurenhos e guatemaltecos.

Ayala, que chegou aos EUA há três meses acompanhado de seus filhos de 15 e 9 anos, gastou US$ 12 mil no percurso até McAllen. Os últimos US$ 2 mil foram desembolsados na cidade mexicana de Reinosa, separada dos EUA por uma ponte, para que um "coiote" os fizesse cruzar a fronteira.

Após passar 15 dias em uma pequena casa em Reinosa com outros imigrantes, sem acesso a água potável e sendo alimentados uma vez ao dia pelos "coiotes", os três membros da família Ayala pisaram finalmente no território norte-americano.

Um caso parecido é o do nicaraguense Jaime Espinoza - nome fictício devido ao temor que ele tem das autoridades -, que chegou aos EUA há quatro dias, após atravessar nadando o Great River, que separa os dois países, com a ajuda de outro "coiote".

Espinoza está acompanhado do filho e busca "tranquilidade e liberdade" nos EUA, longe dos perigos do tráfico de órgãos e drogas, atividades recorrentes na Nicarágua. Além disso, ele classificou o governo de seu país como comunista.

"A insegurança na Nicarágua chegou a níveis insustentáveis", indicou o homem, de 37 anos, que afirma que sua mulher e filho seguirão o mesmo caminho para se reunir nos EUA.

A hondurenha Paola Flores está prestes a pegar um ônibus em direção a Nova Jersey. A viagem durará 40 horas para voltar a ver dois de seus irmãos. Mãe solteira de duas meninas gêmeas de 5 anos, ela diz que não pode imaginar ser deportada para o seu país, seu maior temor desde que saiu de Honduras há um mês.

"A única pessoa de quem tenho muito medo atualmente é o presidente Donald Trump, que demonstrou desprezo por milhões de pessoas honestas que vieram aos EUA para trabalhar. Se nos deportar, arruinará nossas vidas", afirmou Flores.

Em sua primeira semana de governo, Trump assinou decretos para iniciar a construção do muro prometido na campanha, reforçar a fronteira com mais agentes, criar mais centros de detenção para imigrantes ilegais e acelerar a deportação das pessoas que tiveram seus vistos de permanência rejeitados.

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