Veto de Trump tem como efeito aeroportos cheios de angústia e esperança

Beatriz Pascual Macías.

Washington, 31 jan (EFE).- Hameed Khalid Darweesh é iraquiano, arriscou sua vida para ajudar o exército dos Estados Unidos e foi retido durante 19 horas no aeroporto de Nova York. Sua história retrata o desespero e esperança que centenas de estrangeiros passaram a sentir nos últimos dias.

Se uma agência de viagens não tivesse bloqueado temporariamente o pagamento de seu cartão de crédito, Darweesh poderia ter chegado aos EUA antes de o presidente Donald Trump emitir seu veto e suspender durante 90 dias a concessão de vistos a cidadãos de sete países de maioria muçulmana.

Mas o iraquiano teve que reservar um voo posterior e chegou ao aeroporto internacional John F. Kennedy, em Nova York, na sexta-feira, quando a medida de Trump já tinha instalado o caos.

Ele viu sua esposa e seus três filhos desaparecerem no terminal de desembarque. Enquanto isso, ele foi retido e obrigado a passar a noite em uma pequena sala do aeroporto, às vezes algemado e com uma grande angústia no peito: poderia voltar ver sua família? Teria que retornar ao Iraque?

Darweesh tinha deixado seu país e recebido uma permissão para entrar em território americano. Teme por sua vida, teme sofrer represálias pelo serviço que prestou durante uma década aos EUA, primeiro como tradutor quando as tropas chegaram ao Iraque em 2003 e depois como engenheiro.

Após 19 horas retido, sua saída do aeroporto foi transmitida ao vivo por várias redes de televisão dos EUA. A multidão o recebeu como um verdadeiro herói, com cartazes de boas-vindas e gritos: "Deixe-os entrar!" e "Sem ódio, sem medo, os refugiados são bem-vindos aqui!".

Um jornalista o perguntou se estava aborrecido, e Darweesh respondeu que "não" e, agarrando seu advogado pelo ombro, disse: "Isto é Estados Unidos".

A libertação do iraquiano e das dezenas de pessoas retidas nos aeroportos está sendo possível graças ao trabalho de centenas de advogados que voluntariamente prestam assistência a eles e se queixaram pelo suposto descumprimento de uma ordem da juíza Ann M. Donnelly, de Nova York.

No sábado, a magistrada bloqueou parte do polêmico veto de Trump, por considerar que não se pode deportar cidadãos dos países vetados que já tinham chegado aos EUA, mas os agentes encarregados da segurança dos aeroportos continuaram retendo alguns estrangeiros.

"Não nos permitiram falar com nossos clientes, com as pessoas que estavam detidas", disse à Agência Efe Humza Kazmi, um jovem advogado que ajudou este fim de semana um casal iraniano, retido no aeroporto internacional Dulles, no estado da Virgínia, nos arredores de Washington.

"O casal estava tentando voltar para os Estados Unidos vindo do Irã, onde o marido tinha recebido tratamento médico para o coração. Vinham de um longo voo, e ele precisava receber atendimento médico depois da aterrissagem devido a sua doença. Não lhe deram nenhum remédio", lamentou Kazmi.

Os agentes do aeroporto também não permitiram que Kazmi se comunicasse com o marido, que não pôde receber atendimento médico durante quase oito horas de retenção.

Segundo o advogado, os dois tinham o "green card", uma permissão que permite aos estrangeiros trabalhar no país e solicitar a cidadania americana.

No sábado, o governo disse que os residentes permanentes estavam incluídos na ação executiva assinada na sexta-feira por Trump e que suspende durante 90 dias a concessão de vistos a cidadãos de sete países de maioria muçulmana com histórico terrorista: Líbia, Sudão, Somália, Síria, Iraque, Iêmen e Irã.

No entanto, no domingo, o Departamento de Segurança Nacional disse que os residentes permanentes seriam admitidos, embora possam estar sujeitos a uma maior fiscalização.

Informações como essa, confusas e com poucos detalhes, provocaram uma grande angústia tanto dentro dos Estados Unidos como fora, onde dezenas de passageiros viram ruir seu "sonho americano" e permanecem nos aeroportos à espera de serem devolvidos a seus países de origem.

Cheios de cartazes, advogados e tradutores, os aeroportos dos EUA se transformaram em símbolo de resistência contra as medidas de Trump, ações que dividiram o país em dois e suscitaram uma autêntica batalha tanto nas ruas como nos despachos da Casa Branca e no Congresso.

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