Lei do "Brexit" recebe amplo apoio na Câmara dos Comuns

Londres, 1 fev (EFE).- A lei que permitirá que o governo britânico inicie as negociações sobre a futura saída do Reino Unido da União Europeia (UE) passou com considerável vantagem em maioria nesta quarta-feira pelo primeiro trâmite parlamentar na Câmara dos Comuns.

O Partido Conservador, com mais da metade das cadeiras, somou o apoio de grande parte do Partido Trabalhista, o principal da oposição, para dar sinal verde, por 498 votos a favor e 114 contra, a uma legislação que previsivelmente receberá o respaldo definitivo da câmara baixa na próxima semana.

Cerca de 30 deputados trabalhistas se rebelaram contra a orientação de voto imposta pelo líder, Jeremy Corbyn, e se posicionaram contra a lei, junto com o Partido Nacionalista Escocês (SNP) e a maioria dos liberais-democratas.

Em um trâmite parlamentar acelerado, os Comuns darão previsivelmente na próxima quarta-feira o sinal verde final a uma breve norma que se submeterá à apuração da Câmara dos Lordes.

Uma sentença do Tribunal Supremo obrigou a primeira-ministra, a conservadora Theresa May, a pedir permissão aos deputados para ativar o artigo 50 do Tratado de Lisboa, a formalidade que dará início a dois anos de negociações entre o Reino Unido e os 27 Estados-membros restantes do bloco.

Apesar desse revés judicial, May prevê cumprir com seu calendário inicial e notificar a Bruxelas a intenção de deixar o bloco antes do início de abril.

Ed Miliband, ex-líder do Partido Trabalhista, ressaltou diante dos deputados nesta quarta-feira a intenção de apoiar os planos do governo conservador, apesar de ter feito campanha pela permanência na União Europeia antes da consulta popular no ano passado.

Na opinião de Miliband, o ato de se opor agora à ruptura significaria que "aquelas pessoas que votaram a favor do 'Brexit' porque se sentiam ignoradas estariam sendo ignoradas de novo".

Na mesma linha, o conservador George Osborne, ex-ministro de Economia, disse que "colocar o parlamento contra o povo" provocaria uma "profunda crise constitucional" no país.

O líder liberal-democrata, Tim Farron, afirmou por outro lado que sua formação acredita que os "desafios" enfrentados pelo Reino Unido seriam melhor resolvidos "como membro da União Europeia" e que o partido não renunciará à "identidade" europeísta apesar do resultado da consulta popular sobre a UE.

O independentista escocês Alex Salmond alertou que ativar a saída do bloco é uma "loucura política" e acusou o governo britânico de estar "arrastando todo o país para um poço".

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