Trump e premiê australiano tiveram tensa conversa sobre refugiados

Em Washington

  • Jonathan Ernest/Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro da Austrália, Malcolm Turnbull, tiveram no último final de semana uma tensa conversa telefônica, por conta dos 1.250 refugiados que o ex-presidente americano Barack Obama se comprometeu a receber, revelaram nesta quinta-feira (2) alguns veículos de imprensa locais.

De acordo com o "The Washington Post", citando fontes do governo sob condição de anonimato, Trump disse a Turnbull que o acordo que tinha feito com Obama era "o pior da história" e se queixou que, se for cumpri-lo, iria "matar" politicamente os Estados Unidos.

Além disso, Trump acusou a Austrália de querer exportar "o próximo terrorista de Boston", em referência aos terroristas que em 2013 realizaram um atentado durante uma maratona nessa cidade, ao pretender enviar 1.250 refugiados que estão em centros de detenção da Austrália.

O presidente americano disse a Turnbull que a conversa que estavam tendo era "de longe a pior" das cinco que tinha realizado naquele dia com líderes internacionais, incluído o russo Vladimir Putin,

Trump, em seguida, interrompeu a conversa que deveria durar aproximadamente uma hora e foi de apenas 25 minutos.

Sem mencionar a conversa com Turnbull, Donald Trump se referiu, no Twitter, ao compromisso de Obama de receber refugiados que estão detidos na Austrália.

"Dá para acreditar? A administração de Obama acordou trazer centenas de imigrantes ilegais da Austrália. Por quê? Estudarei este pacto estúpido", afirmou o presidente americano.

Muitos dos 1.250 refugiados são provenientes dos sete países de maioria muçulmana que Trump suspendeu a concessão de vistos na última sexta-feira. O novo presidente também proibiu a entrada a todos os refugiados De acordo com as fontes do "The Washington Post", Donald Trump teria se comportado de maneira semelhante com outros presidentes com os quais conversou, como o mexicano Enrique Peña Nieto.

A Austrália, no entanto, tem sido historicamente uma aliada fiel dos Estados Unidos, que iniciou as guerras do Afeganistão e Iraque, promovidas pelo ex-presidente George W. Bush.
 

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