EUA responsabilizam Rússia por escalada da violência na Ucrânia

Mario Villar.

Nações Unidas, 2 fev (EFE).- A nova Administração dos Estados Unidos responsabilizou a Rússia nesta quinta-feira pela escalada da violência no leste da Ucrânia, mantendo o respaldo a Kiev que tinha sido mostrado pelo governo de Barack Obama (2009-2017).

"Considero infeliz que em minha primeira aparição aqui tenha que condenar as ações agressivas da Rússia", disse ao Conselho de Segurança da ONU Nikki Haley, a nova embaixadora americana.

Embora com um tom muito diferente de sua predecessora, Haley deu a entender que o Executivo de Donald Trump vai continuar com a linha marcada por Obama no que diz respeito ao conflito ucraniano.

"Queremos melhorar nossas relações com a Rússia, no entanto, a crítica situação na Ucrânia oriental exige uma condenação clara e contundente das ações russas", disse a embaixadora.

Haley, que assumiu o cargo na semana passada, ressaltou que os Estados Unidos apoiam o povo ucraniano, "que sofreu durante quase três anos sob ocupação russa e uma intervenção militar".

Além disso, assegurou que as sanções impostas a Moscou em relação com Crimeia serão mantidas até que se devolva o controle da península à Ucrânia.

Trump e o presidente russo, Vladimir Putin, decidiram no final de semana passado melhorar as relações bilaterais, em meio a grandes expectativas de uma aproximação entre os dois países com a chegada ao poder do magnata nova-iorquino.

No entanto, os EUA não duvidaram hoje em criticar a Rússia por seu papel na Ucrânia em reunião convocada de urgência pelo Conselho de Segurança para analisar a intensificação das hostilidades que se vive no leste do país nos últimos dias.

Apesar da clara mensagem de Haley, o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, disse aos jornalistas que apreciava uma "mudança de tom" por parte dos americanos.

"Não quero focar demais nisto. É só o início do caminho e espero que leve a algo mais construtivo do que vimos até agora", declarou Churkin, que considerou que a mensagem de Haley foi "suficientemente amistosa" para a Rússia, "dadas as circunstâncias e o tema".

Putin tinha acusado horas antes as autoridades ucranianas de aquecer o conflito no leste do país para poderem se aproximar de Trump após terem apoiado sua rival nas eleições.

Na reunião do Conselho, Churkin reiterou os ataques contra Kiev e acusou o governo ucraniano de buscar uma "solução militar" à crise ao invés de apostar em "normalizar" a situação e buscar compromissos.

Por sua parte, seu homólogo ucraniano, Volodymyr Yelchenko, insistiu que Moscou e os separatistas pró-Rússia são os responsáveis pelos combates dos últimos dias e pediu respaldo à comunidade internacional contra "o agressor".

As Nações Unidas advertiram nesta quinta-feira da "perigosa escalada" da violência que se vive no leste da Ucrânia e do risco que milhares de pessoas se vejam obrigadas a deixar seus lares pelos ataques e pelos danos causados nas infraestruturas básicas.

A ONU disse que tem constância da morte de pelo menos quatro civis desde o último dia 28 de janeiro e de importantes "perdas entre os combatentes de ambos lados".

Segundo a organização, os combates estão pondo em perigo diretamente áreas de passagem de civis, zonas residenciais e infraestruturas básicas, como o fornecimento de água, eletricidade e calefação.

De acordo com dados da ONU, nos quase três anos de conflito nas regiões orientais ucranianas morreram cerca de 10.000 pessoas, entre combatentes e civis.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos