Paquistão nega documentos a família de médico que ajudou a buscar Bin Laden

Islamabad, 2 fev (EFE).- As autoridades do Paquistão negaram a emissão de documentos de identidade aos familiares do médico Shakil Afridi, preso depois de ajudar a Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos a procurar Osama bin Laden, o que os impede de votar, viajar e ainda cria outras dificuldades, como realizar matrículas em escolas e universidades do país.

"As autoridades negaram a emissão de documentos de identidade com o pretexto de que Afridi está incluído na lista estatal de pessoas que não podem deixar o país", indicou o advogado do médico, Qamar Nadeem, em entrevista à Agência Efe.

A mulher e dois dos três filhos de Afridi, maiores de 18 anos, pediram os documentos em dezembro de 2016. No entanto, receberam uma resposta negativa das autoridades do Paquistão.

"É um grave problema para a família. Sem os documentos de identidade, eles não podem viajar porque isso é exigido nas fiscalizações", explicou Nadeem.

Os dois filhos do médico também terão problemas para se matricular em universidades paquistanesas por causa da falta dos documentos. O advogado afirmou que entrará com um recurso para tentar reverter a decisão do governo do país.

Um porta-voz da Autoridade Nacional de Base de Dados e Registro do Paquistão, responsável pela emissão dos documentos de identidade, se negou a fazer comentários sobre a situação da família do médico.

Esses documentos são uma das poucas formas de identificação no país e, sem eles, também não é possível contratar serviços de eletricidade e água, votar ou obter passaportes.

O ministro da Justiça do Paquistão, Zahid Hamid, garantiu recentemente no Senado que o país não libertará nem entregará o médico aos Estados Unidos.

A situação de Afridi voltou a ser debatida depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter afirmado durante a campanha eleitoral que conseguiria a libertação do médico em dois minutos se fosse eleito.

Afridi participou de uma falsa campanha de vacinação na cidade paquistanesa de Abbottabad orquestrada pela CIA para conseguir amostras de DNA de Bin Laden. Ele foi preso pouco depois da morte do terrorista em uma operação dos EUA em 2 de maio de 2011.

Um ano depois, Afridi foi condenado a 33 anos de prisão por envolvimento com grupos terroristas. A pena foi diminuída para 23 anos em 2014. O médico recorreu, mas ainda espera julgamento.

A condenação foi muito criticada dentro e fora do país. Os EUA classificaram a sentença como injusta e desnecessária.

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