Decreto que despenaliza corrupção na Romênia leva cerca de 300 mil às ruas

Raúl Sánchez Costa

Bucareste, 4 fev (EFE).- Cerca de 300 mil pessoas se manifestaram neste sábado pelo quinto dia consecutivo na Romênia apesar do governo social-democrata anunciar que retira o polêmico decreto lei que despenaliza certos crimes de corrupção.

"Amanhã vamos realizar uma sessão de governo extraordinária para derrogar o decreto", disse o primeiro-ministro, Sorín Grindeanu, em uma declaração aos veículos de imprensa.

"Todos os argumentos não foram transmitidos de maneira correta, o que criou confusão, por isso o Ministério e o ministro da Justiça assumem as consequências", agrego.

O primeiro-ministro prometeu que pactuará com a oposição um novo projeto de lei que conte com o máximo apoio parlamentar possível.

Na noite de terça-feira, o governo aprovou por via de urgência e por surpresa um decreto lei que despenaliza os casos de corrupção se causam perdas ao Estado abaixo de 44 mil euros, o que suscitou uma indignação que logo se traduziu na maior onda de protestos desde a queda do comunismo em 1989.

O decreto estava acompanhado de um indulto a 2,7 mil presos por crimes menores, também por corrupção, e que o Executivo justificou pela necessidade de esvaziar as abarrotadas prisões romenas.

Apesar da retirada do decreto suscitar a alegria entre os manifestantes, cerca de 200 mil pessoas seguiram concentradas em Bucareste perante a sede do governo entre gritos de "ladrões" e "traidores".

Muitos dos que protestam pedem a renúncia do Executivo e novos pleitos, apesar do Partido Social-Democrata (PSD) levar apenas um mês no governo após as eleições parlamentares de dezembro.

Em outras cidades romenas também ocorreram manifestações, que desde terça-feira levaram às ruas do país uma média de 250 mil pessoas por noite.

O decreto tinha recebido as críticas da oposição, do presidente, Klaus Iohannis, da magistratura, da Procuradoria Anticorrupção, da Comissão Europeia e de países como Alemanha e França.

Um dos beneficiados da descriminalização era Liviu Dragnea, o líder e autêntico homem forte do PSD, e que com a nova legislação não deveria responder perante um tribunal por um crime de corrupção avaliado em 24 mil euros.

"Sairemos para protestar até que parem de tentar acabar com a luta contra a corrupção neste país", prometeu à Agência Efe Adrian Nica, um universitário.

Na capital, os manifestantes saíram às ruas com bandeiras, assobios e vuvuzelas.

Para amanhã está convocado um protesto no qual dezenas de milhares de pessoas de toda Romênia devem se deslocar até Bucareste.

O PSD venceu de forma folgada as eleições de dezembro com 45% dos votos, mas o polêmico decreto não estava incluído em seu programa eleitoral.

Os críticos à decisão do governo consideram essa legislação como o maior retrocesso na luta contra a corrupção desde que a Romênia entrou na União Europeia (UE) em 2007.

A Procuradoria Anticorrupção conseguiu prender desde 2010 mais de 3 mil políticos e funcionários -entre eles inclusive ministros e um ex-primeiro-ministro do PSD, Adrian Nastase- o que valeu os elogios da Comissão Europeia.

Altos cargos do PSD criticaram o trabalho dessa Procuradoria especial e chegaram a compará-la com a "securitate", a Polícia política do anterior regime comunista.

A Romênia é o segundo país mais pobre da UE e parte da população se mostra frustrada com sua classe política, o que se traduziu nas passadas eleições gerais em uma abstenção superior a 60%.

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