Ex-diretor da Odebrecht no Peru acusou Toledo, segundo documentos publicados

Lima, 4 fev (EFE).- O ex-diretor da empresa brasileira Odebrecht no Peru, Jorge Barata, confessou ter pago propina de US$ 20 milhões ao ex-presidente Alejandro Toledo (2001-2006) para vencer a licitação para a construção de dois lances da estrada Interoceânica, segundo um documento judicial divulgado neste sábado pela imprensa local.

Barata, que esteve à frente da Odebrecht no Peru nos últimos 20 anos, se acolheu à figura da colaboração eficaz e confessou ter pago subornos a Toledo, segundo mostra um documento do Poder Judiciário publicado pelos jornais "Peru21" e "RPP Notícias".

Na declaração de Barata, identificada sob o título "Pagamento indevido ao então presidente da República do Peru Alejandro Toledo como resultado da licitação da estrada Interoceânica Sul - trecho 2 e 3 -", o ex-funcionário da Odebrecht "confessou ter pago subornos a Alejandro Toledo".

No acordo com a justiça dos Estados Unidos, a Odebrecht admitiu que pagou US$ 29 milhões em subornos a funcionários entre 2005 e 2014, anos que compreendem os governos de Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016).

O documento publicado hoje leva o selo do juiz Richard Concepción Carhuancho, que muito provavelmente resolverá o iminente pedido de busca e detenção do ex-mandatário, segundo afirma a imprensa peruana, a solicitação da Procuradoria pelos supostos crimes de suborno e lavagem de dinheiro.

De acordo com a informação divulgada hoje pela imprensa local, os pagamentos feitos supostamente a Toledo foram escalonados entre 2005 e 2008, quando já tinha deixado a presidência, em contas de empresas de seu amigo Josef Maiman em paraísos fiscais.

A Procuradoria do Peru teria corroborado que pelo menos US$ 11 milhões figuram nas contas de Maiman em Londres.

O promotor a cargo do caso, Hamilton Castro, dirigiu hoje a revista à casa de Toledo em Lima e levou várias caixas com documentos, após nove horas de trabalho no local.

Entrevistado hoje pelo jornal "El Comercio" em Paris, Toledo negou "absoluta, categoricamente" ter recebido dinheiro de Odebrecht para outorgar-lhe a construção da estrada.

"Eu não tenho nada. O que disse o senhor Maiman é uma prova dele, que ele tem seus negócios. O que têm a ver comigo? Por favor", disse Toledo.

O ex-mandatário disse não saber da existência da declaração de Barata e também mostrou surpresa ao saber que esse dinheiro teria sido entregue a seu pedido.

"Para mim? Aonde estão os meus familiares? Busquem minhas contas, por favor", reivindicou Toledo ao jornal.

O atual presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, foi ministro da Economia e primeiro-ministro sob o governo de Toledo, e prometeu colaboração total com as investigações, após afirmar que "a justiça deve ser igual para todos".

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