Ex-presidente do Peru nega acusações de que recebeu subornos da Odebrecht

Lima, 4 fev (EFE).- O ex-presidente do Peru, Alejandro Toledo (2001-2006), negou neste sábado ter recebido dinheiro da construtora brasileira Odebrecht para garantir a licitação da construção de uma estrada, como denunciaram vários veículos de comunicação peruanos.

Em entrevista telefônica exclusiva ao jornal "El Comercio", Toledo se disse confuso pela informação e destacou "absoluta, contundente, categoricamente" que não tem nada a ver com o dinheiro que a procuradoria teria encontrado nas contas de seu amigo Josef Maiman vinculadas a Odebrecht.

"Eu não tenho nada. O que disse o senhor Maiman é uma prova dele, que ele tem seus negócios. O que têm a ver comigo? Por favor", declarou Toledo.

O ex-presidente afirmou não saber da existência do depoimento do ex-presidente de Odebrecht no Peru, Jorge Barata, que segundo a imprensa teria entregado um documento à procuradoria no qual afirmou que foram repassados US$ 20 milhões a Maiman a pedido de Toledo para adjudicar à empresa a construção de uma estrada interoceânica.

Toledo se perguntou em várias ocasiões onde está esse "documento" e também mostrou surpresa ao saber que esse dinheiro teria iudo entregue a seu pedido.

"Para mim? Onde estão os meus familiares? Busquem minhas contas, por favor", comentou Toledo ao jornal.

Segundo revelaram ontem à noite os sites do jornais "La República" e "Correo" , Barata, amparado na figura legal de "colaborador eficaz", teria confirmado às procuradorias de Brasil e Peru que Toledo recebeu esse suborno entre 2005 e 2008.

A imprensa indicou, além disso, que é iminente que o procurador encarregado do caso, Hamilton Castro, ordene a prisão de Toledo pelos crimes de suborno e lavagem de ativos.

No Peru, a Odebrecht pagou US$ 29 milhões em subornos a funcionários entre 2005 e 2014, anos que compreendem os governos de Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016), segundo se desprende de um acordo assinado pela construtora com o Departamento de Justiça de Estados Unidos.

O atual presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, foi ministro da Economia e primeiro-ministro no governo de Toledo.

Em mensagem no Twitter, Kuczynski afirmou ontem à noite que "a justiça deve ser igual para todos. Se alguém cometeu corrupção, deve ser punido".

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