Trump é criticado por desdenhar de juiz que suspendeu decreto migratório

Washington, 4 fev (EFE).- O presidente dos EUA, Donald Trump, recebeu críticas da oposição democrata neste sábado por chamar de "suposto juiz" o magistrado federal que na sexta-feira suspendeu o decreto que vetava temporariamente a entrada em terras americanas de refugiados e cidadãos de sete países de maioria muçulmana.

"A opinião deste suposto juiz, que essencialmente arrebata de nosso país a capacidade de aplicar a lei, é ridícula e será cancelada", disse Trump em mensagem na rede social Twitter.

Essa maneira de se referir ao juiz federal James Robart, que na sexta-feira bloqueou com efeito imediato o veto migratório de Trump, valeu a Trump acusações de falta de respeito à independência judicial do país por parte de políticos e analistas, entre eles o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer.

"O ataque do presidente ao juiz James Robart, nomeado por (ex-presidente republicano George W.) Bush e aprovado com 99 votos (dos 100 integrantes do Senado), mostra um desdém por um sistema judiciário independente, que nem sempre se ajusta a seus desejos e uma constante falta de respeito à Constituição", afirmou Schumer.

Em comunicado, Schumer insinuou que as declarações de Trump poderiam influenciar no tratamento que os democratas darão à indicação do juiz Neil Gorsuch, designado nesta semana pelo líder para cobrir a vaga que está sobrando na Suprema Corte.

"Isto faz ainda mais importante que a Suprema Corte sirva como mecanismo independente de controle da Administração", apontou.

"Com cada ação que põe a toda prova a Constituição, e cada ataque pessoal a um juiz, o presidente Trump faz ainda mais difícil a indicação de Gorsuch para Suprema Corte. Sua capacidade de exercer um controle independente será central no processo de confirmação", acrescentou Schumer.

O senador democrata Patrick Leahy, que pertence ao comitê judicial do Senado, rotulou de "perigosa" a "hostilidade" de Trump para o juiz federal e concordou com Schumer em que o nomeado do presidente para o Supremo deverá "demonstrar sua capacidade" de resistir aos possíveis excessos do Executivo.

O governador do estado de Washington, o democrata Jay Inslee, opinou que o "ataque" de Trump ao juiz federal não se encaixa com "a dignidade" que deve mostrar um presidente e exibe "uma atitude que pode levar os Estados Unidos rumo à calamidade".

Esta não é a primeira vez que Trump arremete contra um juiz federal: em junho passado, durante a campanha presidencial, questionou a independência do juiz hispânico Gonzalo Curiel, encarregado do caso de suposto fraude da universidade que leva o nome do agora presidente.

Trump argumentou então que Curiel, nascido em Indiana, mas filho de pais mexicanos, não podia ser imparcial devido à sua "herança mexicana", país que o magnata ofendeu durante sua campanha, uma acusação que rendeu críticas de vários políticos, incluídos líderes de Partido Republicano.

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