Cidade símbolo dos terremotos na Itália, Amatrice combate os atrasos

Cristina Cabrejas.

Roma, 5 fev (EFE).- O prefeito de Amatrice, Sergio Pirozzi, representantes dos povos afetados pelos terremotos dos últimos meses na Itália, destacou à Agência Efe que este é o "pior momento" e que é preciso acelerar as ajudas ou as pessoas perderão a esperança.

Seis meses se passaram desde aquele terremoto que arrasou centenas de localidades do centro da Itália, custou a vida de 299 pessoas e destruiu as casas de centenas de moradores da cidade de Amatrice.

"Seguimos esperando que termine a urbanização das áreas, que se construa a rede de águas e esgoto, que levem gás e a eletricidade. Por enquanto foram instaladas 25 casas de madeira, mas ainda não há ninguém vivendo", explicou Pirozzi.

O prefeito, que não deixa de atender a todo momento os veículos de comunicação, sabedor que enquanto se falar de Amatrice não se cairá no esquecimento, lamenta os atrasos causados pela burocracia que não permitiram ainda que um só habitante volte a sua cidade.

"Eu digo há seis meses, em tempos de guerra são necessários procedimentos de guerra. As coisas estão devagar demais", destacou o administrador desta cidade na província de Rieti, na região central do Lácio.

No domingo passado até o papa Francisco, postado na janela do palácio pontifício durante a oração do Angelus, pediu que a burocracia não atrase a reconstrução destas localidades do centro da Itália.

Pirozzi conta que exatamente no outro dia se abriu um dos envelopes para a licitação de um contrato para a urbanização de uma área e 280 empresas tinham se apresentado, "razão pela qual agora se necessita controlar uma a uma, avaliar a melhor oferta e esperar que as empresas não escolhidas não apresentem recursos".

"Se não começam as obras, não colocam as casas, não se pode voltar a viver", ponderou.

As últimas imagens de Amatrice gravadas com um drone mostram uma cidade fantasma onde a neve cobre montanhas de cascalhos e na qual os bombeiros tentam salvar o restante da torre cívica com seu relógio parado na hora do terremoto, que parou a vida desta cidade turística e famosa por ter inventado o molho "à matriciana".

O prefeito desta cidade, que tinha 2.600 moradores e que os multiplicava no verão, assegurou que, embora a prioridade sejam as casas, "também é importantes reconstruir símbolos, como a torre cívica e a Igreja de Santo Agostinho, porque são estes aos quais o povo se aferra para seguir vivendo".

Perante os protestos e manifestações dos cidadãos afetados pelos terremotos de agosto e outubro, o governo aprovou na quinta-feira passada um novo decreto urgente no qual se concedem isenções fiscais às empresas e moradores de mais de uma centena de localidades atingidas.

Este era um dos pedidos de Pirozzi, que solicitava que o Executivo estabelecesse uma "zona livre de impostos" para dar "um estímulo para ficar, voltar e inclusive para encorajar os investimentos".

"Alguns me dizem que isto poderia criar problemas para a Itália na União Europeia (UE), mas eu pergunto: Quantos procedimentos de infração são abertos por outras coisas?", argumentou Pirozzi.

"Este é o período mais triste. No inverno aqui éramos poucos, mas tínhamos de tudo. Atravessamos o momento mais difícil. Mas se conseguimos superá-lo, sobretudo de maneira psicológica, poderemos seguir adiante", garantiu.

Pirozzi contou que, com sua experiência como treinador de futebol, está tentando inculcar nos cidadãos que "após uma derrota é preciso buscar a vitória" e que sua missão a cada dia é "encorajar a equipe nestes momentos de dificuldade".

"Aguentamos como podemos, sem doping, nossa força é o amor que temos por este território", ressaltou o prefeito, que nos últimos meses se transformou em protagonista por sua forte personalidade.

A cada dia, Pirozzi observa sua cidade destroçada e se agarra à lembrança para continuar batalhando: "Em lembrança do que éramos e dos amigos que nos deixaram naquela maldita noite".

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