Governo romeno derroga oficialmente decreto que despenaliza corrupção

Bucareste, 5 fev (EFE).- O governo social-democrata da Romênia derrogou oficialmente neste domingo, em reunião extraordinária, o polêmico decreto lei que despenalizava alguns casos de corrupção e cuja adoção suscitou a maior onda de protestos no país balcânico desde a queda do comunismo em 1989.

O decreto de derrogação entrará em vigor assim que for publicado nas próximos horas no Diário Oficial, indicaram fontes governamentais à agência "Mediafax".

O primeiro-ministro romeno, Sorin Grindeanu, anunciou ontem que o Executivo retirava a medida porque não queria "dividir a Romênia em duas" e prometeu trabalhar com a oposição para redigir um projeto de lei que conte com o máximo consenso possível.

Mais de mil pessoas se reúnem diante da sede do governo -número que deve aumentar nas próximas horas- para pedir a renúncia do governo, apesar da retirada da polêmica medida.

"Queremos que deixem de aprovar qualquer lei que os beneficie, não nos conformamos com a retirada do decreto", disse à Agência Efe Ciprian Todita, um informático de 34 anos.

Apesar da derrogação, há convocada para esta noite uma nova manifestação pelo sexto dia consecutivo que pode se transformar na maior até agora, superando as 330 mil pessoas que saíram ontem à noite às ruas das principais cidades do país aos gritos de "ladrões" e "traidores".

Dezenas de estudantes de Cluj-Napoca, a segunda cidade maior da Romênia, chegaram hoje à capital para se unir aos protestos.

Na terça-feira passada, o governo aprovou por via de urgência um decreto lei que despenalizava os casos de corrupção se causassem perdas ao Estado abaixo de 44 mil euros.

Esta modificação penal estava acompanhada de um indulto a 2,7 mil presos por crimes menores, também por corrupção, e que o Executivo justificou pela necessidade de esvaziar as abarrotadas prisões romenas.

A oposição, o presidente do país, Klaus Iohannis, a magistratura, a Procuradoria Anticorrupção, a Comissão Europeia e países como a Alemanha e França criticaram duramente o decreto.

O Partido Social-Democrata (PSD) venceu de forma folgada o pleito de dezembro com 45% dos votos, mas o polêmico decreto não estava incluído em seu programa eleitoral.

EFE

rsc-ll/ff

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos