Meio milhão de romenos protesta contra governo apesar da retirada de decreto

(Atualiza número de manifestantes).

Raúl Sánchez Costa.

Bucareste, 5 fev (EFE).- Cerca de 500 mil romenos voltaram a se manifestar neste domingo, muitos deles exigindo a renúncia do governo social-democrata, apesar de o Executivo ter revogado hoje o impopular decreto que despenalizava alguns delitos de corrupção.

Os manifestantes gritam palavras de ordem - pelo sexto dia consecutivo - como "Queremos que nos ouçam, não que mintam" e "Vocês conseguiram, nos uniram" na praça que fica em frente à sede do governo, entre vaias, bandeiras e o som de vuvuzelas.

"Não renunciarei, ganhamos as eleições com milhões de votos", declarou o primeiro-ministro, Sorin Grindeanu, à emissora de televisão "Antena3", lembrando que em dezembro o Partido Social-Democrata (PSD) venceu os pleitos legislativos com 45%.

O número de manifestantes na capital romena chegou a 300.000 durante a noite, quantia superior à dos dias anteriores devido à chegada de muitas pessoas de outras cidades como Cluj-Napoca e Iasi.

Outras 200 mil pessoas também se manifestam em outras grandes cidades romenas, naquela que é a maior onda de protestos desde a queda do comunismo em 1989.

"Queremos que parem de aprovar leis que lhes beneficiem, não nos conformamos com a retirada do decreto", disse à Agência Efe Ciprian Todita, um técnico de informática de 34 anos.

Nos últimos dias saíram às ruas cerca de 250.000 pessoas por noite para mostrar sua rejeição a um decreto aprovado por via de urgência que despenalizava a corrupção se os prejuízos para o Estado fossem menores que 44 mil euros.

"Toda a classe política da Romênia tem que entender que no parlamento não deve existir nenhuma suspeita de corrupção", declarou à Efe Constantin Maris enquanto agitava uma bandeira romena.

"Não nos renderemos, queremos a renúncia do Executivo e eleições antecipadas", acrescentou.

O governo revogou hoje oficialmente a polêmica medida depois da pressão das ruas e publicou no Diário Oficial para que entrasse em vigor imediatamente.

Grindeanu disse que o governo retirava a medida porque não queria "dividir a Romênia em duas" e prometeu trabalhar com a oposição para redigir um novo projeto de lei de consenso.

O comunicado do governo indica que Grindeanu pediu ao Ministério da Justiça que inicie um debate público com todos os partidos políticos e a sociedade civil.

Os analistas consideram que os protestos continuarão até que o governo assuma algum preço político por uma medida impopular quando está há menos de um mês no poder.

"Ainda há muitos motivos que levam as pessoas às ruas, como exigir a renúncia do ministro (de Justiça) e evitar que as leis contra a corrupção sejam suavizadas ", explicou à Efe Sorin Ionita, do laboratório de ideias Expert Forum.

O analista não tem nenhuma dúvida de que o governo tentará de alguma forma diminuir a luta contra a corrupção, apesar deste primeiro revés.

Os social-democratas venceram de forma folgada o pleito de dezembro do ano passado, mas o polêmico decreto não estava incluído em seu programa eleitoral.

"A revogação do decreto marca uma grande vitória das ruas. O governo se comportou de maneira abusiva, tentando legalizar o roubo por meio de manobras ocultas", afirmou à Efe o analista Dan Tapalaga.

No entanto, o PSD ganhou as eleições com "um resultado claro, tem ainda como partido toda a legitimidade de governar", concluiu o analista.

Enquanto uma multidão expressa sua indignação pela medida, cerca de mil pessoas se manifestaram em frente à sede da presidência para respaldar o Executivo com mensagens como "Apoiamos um governo legítimo" e "Estamos com vocês".

O presidente romeno, o conservador Klaus Iohannis, criticou a medida desde o primeiro momento e a considerou um passo atrás na luta contra a corrupção no segundo país mais pobre da União Europeia (UE).

O decreto incluía um indulto a 2.700 presos por crimes menores, também por corrupção, e que o Executivo justificou pela necessidade de esvaziar as abarrotadas prisões romenas.

Um dos beneficiados da polêmica medida teria sido o líder do Partido Social-Democrata (PSD), Liviu Dragnea, que não teria respondido perante um tribunal por um caso de corrupção com um prejuízo para o Estado avaliado em 24 mil euros.

A procuradoria anticorrupção da Romênia prendeu, desde 2010, mais de 3.000 políticos e funcionários - entre eles ministros e um ex-primeiro-ministro do PSD, Adrian Nastase - o que lhe valeu elogios da Comissão Europeia.

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