Mortes de crianças no conflito do Afeganistão disparam e batem recorde

Baber Khan Sahel.

Cabul, 6 fev (EFE).- A violência no Afeganistão segue piorando ano após ano, com recordes em 2016 que representam 3% no aumento do total de vítimas civis - 3.498 mortos e 7.920 feridos -, com 24% mais crianças mortas no período - 923 -, informou nesta segunda-feira a missão da ONU no país (Unama).

"É triste informar, ano após ano, sobre o aumento no número de vítimas civis. Outra vez o número mais alto já registrado", afirmou o chefe da Unama, Tadamichi Yamamoto, durante a apresentação em Cabul de um relatório anual sobre o conflito no país.

Apesar de a quantidade de mortos ter diminuído 2%, passando de 3.565 em 2015 para 3.948 no ano passado, o número de feridos superou os do ano anterior (7.920 contra 7.469). No total, 2016 foi o ano em que o conflito deixou mais vítimas desde que a missão da ONU começou a contabilizá-las em 2009.

Yamamoto expressou, além disso, particular preocupação sobre o crescimento alarmante das vítimas infantis. De acordo com a Unama, o número de crianças mortas no conflito em 2016 subiu 24% em relação ao ano anterior. A maior parte dessas mortes (66%) ocorreu em função dos restos de explosivos de guerra. Vários dispositivos detonaram nas mãos de crianças que brincavam com eles.

Por isso, o chefe da Unama pediu a todas as partes envolvidas no confronto que parem de lutar em áreas habitadas ou que não usem espaços civis, como colégios, mesquitas e hospitais.

Os grupos antigoverno, principalmente os talibãs, são citados como responsáveis por 61% das vítimas. As tropas que atuam em defesa do governo vêm na sequência, com 34%. Os demais 5% não puderam ser atribuídos e correspondem, em grande parte, às vítimas provocadas pelos restos de explosivos.

Os talibãs criticaram em comunicado os dados divulgados pela Unama, definindo-os como "incompletos" e culpando as tropas afegãs e estrangeiras por 77% das vítimas.

Segundo o relatório, as vítimas do grupo terrorista Estado Islâmico (EI), que neste ano assumiu a autoria de alguns dos ataques mais sangrentos do país, se multiplicaram e chegaram 209 mortos e 690 feridos.

Yamamoto condenou "energicamente" os ataques deliberados do EI contra civis por motivos sectários, como o atentado suicida de junho contra um grupo da minoria xiita hazara que participava de uma manifestação em Cabul, deixando 80 mortos e 300 feridos.

"Fazemos um chamado para que o Daesh (acrônimo do EI em árabe) para que deixe de colocar os civis em seu alvo. Isso é um crime de guerra", ressaltou o chefe da Unama.

Em 2016, as vítimas de atentados suicidas e ataques contra atingiram o recorde de 398 mortos e 1.565 feridos. Artefatos explosivos improvisados foram a principal causa de morte ou feridos, com 700 mortos e 1.456 feridos, respectivamente.

Desde que começou a elaborar a estatística em 2008, a Unama contabilizou 24.841 civis mortos e 45.347 feridos no conflito.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) anunciou que manterá em 2017 a mesma quantidade de tropas, mais de 12 mil homens, na atual missão de assistência às forças afegãs, diante da instabilidade no país. Os Estados Unidos mantém 8.400 soldados no Afeganistão, cerca de 2.000 deles em uma missão antiterrorista e os demais integrados à Otan.

Apesar da forte presença militar, o chefe da Unama acredita que a paz precisa ser negociada no país.

"As partes em conflito devem demonstrar seu compromisso para alcançar uma solução política negociada para uma guerra que destruiu vidas, causou deslocamentos internos, além de traumas e sofrimentos além dos imagináveis", afirmou Yamamoto.

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