MP do Peru abre investigação sobre ex-primeira dama por licitação de gasoduto

Lima, 7 fev (EFE).- A Promotoria Anticorrupção do Ministério Público do Peru abriu uma investigação sobre a ex-primeira-dama Nadine Heredia e 11 ex-funcionários públicos por suposto favorecimento à Odebrecht na licitação do Gasoduto Sul Peruano (GSP) em 2014, informou nesta terça-feira a imprensa local.

O promotor Reynaldo Abia incluiu nas investigações o ex-diretor de Odebrecht no Peru Jorge Barata, que como colaborador declarou à Promotoria que pagou US$ 20 milhões em propina ao ex-presidente do país Alejandro Toledo pela construção da rodovia Interoceânica.

Abia contou que, segundo suas apurações, todos os investigados teriam conspirado para favorecer a construtora brasileira, por isso formariam uma organização criminosa. Desta forma, foram acusados pelos crimes de conluio e negociação incompatível, de acordo com o jornal "Correo".

O titular da Segunda Promotoria Anticorrupção também pediu que fosse incluído no processo na qualidade de testemunha o atual presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski, e ampliadas as declarações dos ex-mandátarios Alan García e Ollanta Humala.

Barata reconheceu ao Ministério Público que se reuniu com todos os candidatos presidenciais peruanos durante suas campanhas eleitorais, e Abia pretende saber se algum atuou em favor da Odebrecht para que conseguisse o contrato para a construção do Gasoduto em consórcio com a espanhola Enagás em 2014.

O consórcio formado pelas duas empresas obteve, em 30 de junho de 2014, a concessão do Gasoduto Sul Peruano (GSP) ao oferecer US$ 7,328 bilhões pelo custo total do serviço.

No entanto, no ano passado a Odebrecht vendeu à peruana Graña y Montero um pacote de 20% de ações, das 75% que tinha no projeto, e encarregou à Enagás a gestão da concessão, após o escândalo da operação Lava Jato no Brasil.

Segundo denúncias de colaboradores, Heredia participou das negociações para favorecer o consórcio, que ganhou a concessão para levar gás da reserva de Camisea para a costa sul do país.

As investigações visam também esclarecer se a Odebrecht ou outra empresa particular fez aportes econômicos na campanha eleitoral de Humala em 2011, quando ele foi eleito para a presidência do Peru para o período 2011-2016.

Tanto Heredia como Humala estão sendo investigados pela Promotoria Anticorrupção por lavagem de ativos devido às supostas irregularidades ao lidarem com fundos do partido Nacionalista, que ambos fundaram.

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