Negociações de ofertas comerciais entre Mercosul e UE chegam a ponto crucial

Assunção, 7 fev (EFE).- O Mercosul e a União Europeia (UE) encaram "momentos cruciais" nas negociações sobre a apresentação de ofertas que os blocos mantêm em busca da consecução de um acordo de livre-comércio entre ambos, afirmou nesta terça-feira o vice-ministro de Relações Exteriores do Paraguai, Rigoberto Gauto.

Gauto destacou que os blocos se reunirão a partir de hoje em Bruxelas, na Bélgica, para continuarem discutindo as ofertas apresentadas e tentarem chegar a um acordo que possibilite as negociações finais.

No entanto, Gauto especificou que, para o Mercosul (Paraguai, Argentina, Brasil e Uruguai), "o mais delicado" é o fato de a UE não ter apresentado uma oferta completa que abranja todos os setores, como foi feito no lado sul-americano.

"Nós concluímos nossa oferta, mal ou bem, que agrade ou não à União Europeia. Vamos negociar, mas nós oferecemos algo em tudo. No entanto, a União Europeia excluiu a carne e o etanol de sua oferta. Já dissemos em várias ocasiões que não vamos começar até que eles concluam sua oferta", disse Gauto em entrevista coletiva na sede da Chancelaria.

O ministro paraguaio acrescentou que são vários os pontos conflituosos que devem ser solucionados nesta nova rodada de negociações e que, por esse motivo, "as negociações não são fáceis e fracassaram anteriormente em duas oportunidades".

"Para nós, não nos satisfaz a ideia de começar as negociações sem que a oferta europeia esteja completa. É um desequilíbrio que torna as coisas mais difíceis para nós. Sem oferta completa, não queremos ficar presos a um enfoque que seria prejudicial para nós", acrescentou o ministro paraguaio.

Nesse sentido, Gauto destacou que um dos pontos mais difíceis está no setor primário, concretamente em relação à carne bovina, levando em conta que o Paraguai é o sexto maior produtor mundial.

"O que existe, e eles jogam isto em nossa cara em cada reunião, é a enorme pressão de seu setor agrícola sobre a abertura de seu mercado. E, por trás dos produtores, sempre estão os políticos, que sempre se posicionam de forma a evitar que a União Europeia ceda muito nesta matéria", indicou Gauto.

Além da carne, o ministro paraguaio disse que outro ponto quente é o mercado de açúcar, sendo o Brasil o maior produtor mundial deste bem, por isso "os europeus gostariam de manter seus engenhos funcionando para evitar que ficassem saturados de açúcar proveniente de nossos países".

Também há divergências em relação ao setor automotivo, afirmou Gauto, já que a UE "tem uma ambição muito elevada em matéria automotiva pela simples razão de que são grandes produtores, e sobretudo de marcas de alto padrão, que poderiam, se baixarmos as tarifas, exportar para os países do Mercosul com vantagens".

No entanto, Gauto especificou que, "obviamente, Argentina e Brasil têm certas sensibilidades porque são produtores automotivos".

"É bastante dramático porque é o que nós, desde o início, sempre dissemos à União Europeia, que para poder iniciar negociações verdadeiras, nós temos que ter sua oferta completa", afirmou o ministro paraguaio.

Apesar das diferentes dificuldades, as negociações da semana que vem concentrarão suas temáticas em compras públicas, acesso ao mercado de bens, medidas sanitárias e fitossanitárias, e serviços e investimentos, além da apresentação de uma plataforma virtual para pequenas e médias empresas.

A apresentação das propostas comerciais entre Mercosul e União Europeia aconteceu em Bruxelas em 11 de maio de 2016 e, desde então, os blocos vêm tentando aparar as arestas em diferentes aspectos nas diversas rodadas de negociação.

As conversas sobre este amplo acordo de associação, que inclui um tratado de livre-comércio, começaram em 1999. No entanto, após uma infrutífera primeira troca de ofertas de acesso aos mercados em 2004, as negociações ficaram paralisadas até 2010, quando as partes decidiram retomá-las nas margens da cúpula euro-latino-americana de 2016 em Madri, na Espanha.

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